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Infernos literários

Nos últimos meses, Brasil e mundo vêm atravessando um período turbulento. A literatura e os livros, de maneira geral, sempre falaram de tempos difíceis. O inferno ou situações infernais são a própria matéria-prima dos livros.

Como forma de refletir sobre este período, promovemos de agosto a dezembro de 2020 a Temporada no inferno. A partir de livros selecionados pela nossa equipe de curadoria, atravessamos os mais diversos infernos: das grandes guerras às piores pestes e epidemias, do racismo às ditaduras, das mais dolorosas perdas pessoais ao enclausuramento e à loucura. Como parte da programação, convidamos escritores, pesquisadores e artistas para ler e comentar trechos de representações de situações infernais na literatura.

ROBERTA ESTRELA D’ALVA LÊ “POEMAS DO POVO DA NOITE”

Para a pesquisadora e slammer Roberta Estrela D’Alva, uma boa ilustração do inferno é o “Poema-Prólogo”, do livro “Poemas do povo da noite”, de Pedro Tierra, pseudônimo do poeta e político tocantinense Hamilton Pereira da Silva, preso e torturado durante a ditadura.

 

BERNARDO CARVALHO LÊ “O MESTRE E MARGARIDA”

Aqui, o escritor Bernardo Carvalho lê um trecho do clássico russo “O mestre e Margarida”, de Mikhail Bulgákov, que narra a visita do Diabo a Moscou: “É um livro maravilhoso, uma história de amor extraordinária, mas é também um livro de redenção em que o humor e a vingança estão misturados e confundidos.”

AVE TERRENA ALVES LÊ “A QUEDA PARA O ALTO”

Todo mundo já passou uma temporada no inferno.

Para Ave Terrena Alves, “A queda para o alto” (1982), de Anderson Herzer, é um retrato da marginalização a que alguém está exposto em razão da sua mera existência. “Para mim, isso é o inferno”, comenta Ave Terrena.

O livro é a autobiografia de Herzer, poeta que foi internado pela família na Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem) dos quatorze aos dezessete anos, sem ter cometido nenhum crime. Herzer se suicidou aos vinte anos.

LUIZ ANTONIO SIMAS LÊ “A ALMA ENCANTADORA DAS RUAS”

“Andam por aí ulceradas, sujas, desgrenhadas, com as faces intumescidas e as bocas arrebentadas pelos socos, corridas a varadas dos quiosques, vaiadas pela garotada. Nas noites de chuva, sob os açoites da ventania, aconchegam-se pelos portais, metem-se pelos socavões, tiritando…”

Ao ler um trecho de “A alma encantadora das ruas” (1908), de João do Rio, o historiador carioca Luiz Antonio Simas chama a atenção para o inferno da exclusão social das “sobras viventes” em situação de rua. Denunciado pelo cronista no início do século XX, “o inferno, cem anos depois, ainda está aí,” alerta Simas.

RENATA SORRAH LÊ “O QUE O SOL FAZ COM AS FLORES”

A poeta canadense de origem indiana Rupi Kaur, conta a atriz Renata Sorrah, se destaca por sua forma particular de tratar do cotidiano muitas vezes infernal do universo feminino. Ela escolheu ler o poema “Casa”, do livro “O que o sol faz com as flores” (2018), sobre situação de violência sexual.

ALCIDES VILLAÇA E A REPRESENTAÇÃO DO INFERNO

“Uma vez sitiado em palavras, uma vez transformado em qualquer matéria de representação artística, o inferno se transveste numa forma particular de beleza, seja ela qual for.”

Em leitura de texto feito especialmente para a Megafauna, o professor e poeta Alcides Villaça comenta a representação do inferno nas artes.

ITAMAR VIEIRA JUNIOR LÊ “O SONHO DA ALDEIA DING”

Nos anos 1990, autoridades do Partido Comunista na província chinesa de Henan incentivaram que fazendeiros vendessem seu sangue. Seduzidos pela perspectiva de deixar a pobreza para trás, milhares responderam ao chamado, dando início a um ciclo desenfreado de coleta e tráfico de sangue. Padrões básicos de higiene foram ignorados, seringas reutilizadas, sangues de doadores misturados e, como resultado, o HIV se espalhou pela região. O escândalo em sua terra natal inspirou o autor Yan Lianke a escrever “O sonho da aldeia Ding”, escolhido por Itamar Vieira Junior para a sua leitura.

FAUSTO FAWCETT LÊ “POWER INFERNO”

O escritor e compositor carioca Fausto Fawcett comenta sua escolha de leitura de um inferno: “Power Inferno”, de Jean Baudrillard. Na coletânea de artigos, o filósofo e sociólogo francês apresenta uma radiografia do mundo pós 11 de Setembro, esmiuçando e conectando temas como terrorismo, globalização, mídia, guerra, futuro, imperialismo, negócios, tecnologia e propaganda. No livro, destaca Fausto, Baudrillard escancara como a globalização “está deixando muita gente excitada, mas muito mais gente desperdiçada”.

STEPHANIE BORGES LÊ “REINO DOS BICHOS E DOS ANIMAIS É O MEU NOME”

“Porque lugar de cabeça é na cabeça, lugar de corpo é no corpo.” A poeta e tradutora Stephanie Borges lê uma seleção de poemas de Stela do Patrocínio e comenta o inferno vivido na Colônia Juliano Moreira, instituição psiquiátrica no Rio de Janeiro onde Stela – diagnosticada com esquizofrenia – ficou internada por 25 anos, até sua morte, em 1992, sem jamais receber uma visita. A fala era a forma de escrita de Stela, que questionava o que era a sanidade e o que era a loucura, criticava o tratamento dado aos alienados, compartilhava sua visão de mundo e sua história. Parte de seus falatórios foi registrada em áudio e postumamente lançada no livro “Reino dos bichos e dos animais é o meu nome” (2001), organizado pela poeta e psicanalista Viviane Mosé.

CELSO SIM LÊ “UM RETRATO DO ARTISTA QUANDO JOVEM”

“O fogo do inferno não dá origem à luz. […] A última e a rainha de todas as torturas é a eternidade do inferno e da dor.”

Celso Sim destaca, em sua escolha, a relação que James Joyce estabelece entre inferno e eternidade em “Um retrato do artista quando jovem” (1916). Em seu primeiro romance, Joyce conta a história de um jovem católico irlandês que rejeita sua religião, família e pátria para se dedicar à arte.

JULIA WÄHMANN LÊ “O ANO DO PENSAMENTO MÁGICO”

“As palavras não me bastam para encontrar um significado. Neste caso, preciso que o que penso e acredito seja penetrável, ao menos para mim mesma.”

Em “O ano do pensamento mágico” (2005), a norte-americana Joan Didion narra o período de um ano que se seguiu à morte de seu marido, durante o qual tentou elaborar o luto enquanto sua única filha sofria de uma grave doença. Para a escritora Julia Wähmann, voltar a este livro em tempos de pandemia e luto coletivo é um alento: “Ao contrário do que a Didion fala, dessa desconfiança dela sobre a insuficiência e a ineficácia de suas palavras para dar conta desse inferno que viveu, suas palavras são muito certeiras. Ela consegue escrever um livro que é tão bonito quanto doloroso”.

REINALDO MORAES LÊ “BARTLEBY, O ESCRIVÃO”

“Inicialmente, Bartleby realizava uma quantidade extraordinária de trabalho, como se há tempos estivesse faminto por algo que copiar. Ele parecia devorar os meus documentos. E não havia pausa para a digestão. Ele trabalhava dia e noite, copiando à luz do dia e à luz de velas. Sua dedicação deveria deixar-me bastante satisfeito, uma vez que ele era assaz laborioso. Mas ele escrevia em silêncio, de maneira mecânica e apática.”

“Bartleby, o escrivão” (1853), de Herman Melville, traz ao escritor Reinaldo Moraes a lembrança do horror que foi, para ele, trabalhar em um “ambiente desvirilizante e acachapante” como o da maioria dos escritórios: “Era um lugar a que eu ia sempre meio angustiado e saía de saco cheio. E, para mim, aquilo era um inferno!”

NOEMI JAFFE LÊ “TUDO O QUE TENHO LEVO COMIGO”

“Quando a nossa fome está no seu pico, nós falamos sobre infância e comida. As mulheres mais do que os homens. E ninguém fala mais sobre comida do que as mulheres do campo.”

Noemi Jaffe conta que esse trecho, traduzido por ela de uma edição estrangeira de “Tudo o que tenho levo comigo” (2011), romance da Nobel de Literatura Herta Müller, ilustra a experiência infernal dos campos soviéticos de trabalho forçado para onde romenos de origem alemã foram deportados após o fim da Segunda Guerra Mundial. Entre os deportados estavam a mãe de Müller e seu amigo poeta Oskar Pastior, que inspirou o livro.

ISABEL WILKER lê “A vegetariana”

“Já não consigo dormir mais que cinco minutos. Assim que caio no sono, começo a sonhar. Não: nem sequer posso chamar isso de sonho. Não passam de cenas curtas que me assaltam de forma intermitente. Olhos ferozes de alguém animal. Imagens sangrentas. Um crânio aberto de algum e, de novo, os olhos ferozes de algum animal. Olhos que parecem ter nascido de minhas entranhas.”

O romance “A vegetariana”, da sul-coreana Han Kang, ilustra, para a atriz Isabel Wilker, um inferno que pode nos acometer repentinamente, sem explicação lógica. Mais do que um castigo, para Isabel o inferno seria um tormento misterioso, um pesadelo atravessado por nós dormindo ou acordados.

SOFIA NESTROVSKI LÊ “COMO ME TORNEI FREIRA”

“Nunca havia provado nada tão repugnante. […] O primeiro bocado desenhou no meu rosto uma careta involuntária de nojo que ele não pôde deixar de ver. Foi uma careta quase exagerada, que conjugava a reação fisiológica e seu acompanhamento psíquico de desilusão, medo e a trágica tristeza de não poder seguir papai nem mesmo neste caminho de prazeres.”

Na cena de abertura de “Como me tornei freira”, de César Aira, é narrado o asco provocado pelo sorvete na desastrosa primeira visita de uma criança a uma sorveteria, para a decepção e fúria do seu pai. Para a escritora Sofia Nestrovski, o trecho evoca o inferno “do isolamento que é ser criança e não juntar uma coisa com a outra”. De forma divertida, o autor argentino, nessa e em outras cenas da novela, ilustra a dissonância entre o mundo interior da criança e o exterior, em que adultos impõem seus desejos.

KALAF EPALANGA LÊ “TERRA SONÂMBULA"

“Naquele lugar, a guerra tinha morto a estrada. Pelos caminhos só as hienas se arrastavam, focinhando entre cinzas e poeiras. A paisagem se mestiçara de tristezas nunca vistas, em cores que se pegavam à boca. Eram cores sujas, tão sujas, que tinham perdido toda a leveza, esquecidas da ousadia de levantar asas pelo azul. Aqui, o céu se tornara impossível. E os viventes se acostumaram ao chão, em resignada aprendizagem da morte.”

O escritor angolano Kalaf Epalanga recorda que “Terra sonâmbula”, do moçambicano Mia Couto, o marcou muito. No romance, o menino Muidinga e seu velho protetor Tuahir caminham a esmo, fugindo da morte. Quando foi lançado, em 1992, tanto Angola como Moçambique enfrentavam os efeitos de guerras civis devastadoras. “Lembro-me de que, quando este livro me chegou à mão, foi numa altura em que em Benguela, minha cidade-natal, estavam a chegar centenas e centenas de refugiados, pessoas que caminharam a pé, passando por um verdadeiro inferno para sobreviver.”

SOFIA MARIUTTI LÊ “O DESAPARECIDO OU AMERIKA”

Para a poeta e tradutora Sofia Mariutti, “O Desaparecido ou Amerika” (1927), primeiro romance de Franz Kafka, narra uma verdadeira descida ao inferno. “Desde a primeira página, a gente sabe que tudo só pode e vai dar errado, mas mesmo assim a gente continua lendo.”

No romance, um jovem alemão expulso da casa dos pais tenta a vida nos Estados Unidos. “Esse trecho, para mim, é especialmente infernal porque ele traz a imagem de um sísifo acorrentado ao peso do próprio trabalho. Para se sustentar, ele precisa trabalhar de dia. Trabalhando de dia e estudando à noite, ele não tem como dormir. […] Ele sabe que vai conseguir dormir quando terminar os estudos, mas ele não sabe quando vai terminar os estudos”, diz Sofia, lembrando que a situação do personagem se assemelha à de Kafka, que trabalhava de dia e escrevia de madrugada.

JEFERSON TENÓRIO LÊ “NOTAS DE UM FILHO NATIVO”

“Quando o levamos ao cemitério, estávamos cercados pelos detritos da injustiça, da anarquia, do descontentamento e do ódio. Para mim, era como se o próprio Deus tivesse preparado, para marcar a morte de meu pai, a mais prolongada e brutalmente dissonante das codas. E parecia-me também que a violência que nos cercava no dia em que meu pai partiu deste mundo tinha sido pensada como um corretivo para o orgulho de seu filho mais velho. Eu havia rejeitado a crença naquele apocalipse que ocupava um lugar central na visão de mundo de meu pai; pois bem – a vida parecia estar me dizendo –, eis aí um bom sucedâneo do apocalipse, enquanto o próprio não chega.”

A escolha de Jeferson Tenório para representação do inferno na literatura é “Notas de um filho nativo”, ensaio que dá nome à recém-lançada coletânea do norte-americano James Baldwin. “Considero esse trecho uma temporada no inferno justamente porque fala dessa relação do Baldwin com o pai, em meio ao luto, a um funeral, e às lutas contra o racismo nos Estados Unidos.”

VERONICA STIGGER LÊ “A PAIXÃO SEGUNDO G.H.”

A cena da entrada da protagonista de “A paixão segundo G.H.”, romance de Clarice Lispector, no quarto de Janair é a escolha da escritora Veronica Stigger para a ilustração de um inferno na literatura. Na parede do cômodo da empregada doméstica, G.H. encontra um desenho a carvão de um casal nu e um cachorro, e no armário, uma barata. “A partir de tudo ali, ela fala já no início do livro que está indo para o ‘inferno de uma vida crua’. Para G.H., aquela chegada ao quarto é como uma descida a esse inferno, a esse algo que tem um aspecto demoníaco, mas ao mesmo tempo divino.”

ARRIGO BARNABÉ LÊ “A DIVINA COMÉDIA”

De todas as representações do inferno na literatura, a apresentada em “A Divina Comédia”, de Dante Alighieri, é uma das mais detalhadas e emblemáticas. Escrito no século XIV, o poema é divido em três partes – Inferno, Purgatório e Paraíso –, todas ricas em alegorias. Em seu vídeo para a Megafauna, o músico e ator Arrigo Barnabé lê o início do canto I da primeira parte, “Inferno”, na qual o escritor italiano, guiado pelo poeta Virgílio, descreve uma viagem por nove círculos de sofrimento que se afunilam até o centro da Terra. Na visão do inferno medieval, o círculo para o qual pecadores eram enviados e as punições às quais eram submetidos dependiam do que eles haviam feito em vida, sendo as camadas mais profundas destinadas aos donos dos pecados mais graves. Para Barnabé, esse trecho é especialmente infernal por toda a “inevitabilidade da condenação eterna” que evoca.

DANIEL GANJAMAN LÊ “DESCONSTRUÇÃO”

Convidado a ler um trecho que ilustrasse sua visão de inferno, o produtor musical Daniel Ganjaman escolheu a letra de “Desconstrução”, canção do álbum “Trilha para o desencanto da ilusão, Vol. 1: Amem”, do Síntese, grupo de rap de São José dos Campos. Ganjaman destaca a autenticidade dos rappers Gestério Neto e Leonardo Iran: “A forma caótica como o texto se organiza ajuda muito a retratar o que para mim possivelmente pode vir a ser o inferno”, diz.

ALAÍDE COSTA CANTA "A DAMA DE VERMELHO"

Quando surgiu, como parte da Temporada no Inferno, a ideia de convidar amigos da Megafauna para leitura de uma representação de experiências infernais, não imaginávamos escolhas tão diversas. Nenhum convidado escolheu um autor ou livro já citado. A cartilha de infernos também foi variada. Desde agosto, compartilhamos aqui no nosso IGTV leituras que falavam de luto, depressão, guerra, prisões, infância. Curiosamente, um inferno muito comum, que volta e meia atravessamos, ficou de fora. Tem dor mais doída do que a de um coração partido? Hoje, fechamos nossa temporada com a grande Alaíde Costa dando voz à sua visão de inferno em “A dama de vermelho”, valsa de Alcyr Pires Vermelho e Pedro Caetano gravada por Francisco Alves em 1943.

Encontros

Os encontros promovidos pela Megafauna reunem gente diversa para tratar de assuntos urgentes e não tão urgentes (mas necessários): pode ser um lançamento de livro, pode ser uma leitura – um poema, uma peça de teatro, um trecho de livro ainda inédito –, pode ser um debate – sobre sonhos, sobre eleições, sobre uma HQ feita do outro lado do mundo, sobre uma canção nova, sobre uma data especial.

É SEMPRE A HORA DA NOSSA MORTE AMÉM

Mariana Salomão Carrara lança “É sempre a hora da nossa morte amém” em conversa com Chico Felitti. Em seu novo romance, a autora de “Se deus me chamar não vou” (2019) conta a história da septuagenária Aurora, encontrada à beira da estrada, desmemoriada e descalça, em busca de uma certa Camila. Para quem está com amnésia, Aurora recorda-se de muita coisa: dos anos em que deu aula de português em uma escola de riquinhos; da sua covardia perante a ditadura militar; e, sobretudo, das muitas mortes da filha, sempre alternadas com momentos solares na companhia da melhor amiga de infância. Seriam reais essas lembranças ou elas vêm apenas dos livros que leu?

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KENTUKIS

Uma das principais vozes da literatura argentina contemporânea, Samanta Schweblin lança seu livro “Kentukis” em um encontro virtual com o escritor e editor Joca Reiners Terron e com Livia Deorsola, tradutora de “Kentukis” no Brasil. O que aconteceria se as pessoas pudessem circular livremente pela casa de desconhecidos por meio de um dispositivo tão adorável quanto um robô de pelúcia? Do que somos capazes quando guiados pelas regras incertas de um novo contrato social? Em “Kentukis”, Schweblin explora o lado inquietante da tecnologia e constrói um poderoso retrato da vida moderna. Solidão, afeto e generosidade, mas também oportunismo, infâmia e perversão são alguns dos sentimentos que compõem este romance a um só tempo aterrador e divertido.

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Comporte-se: a biologia humana em nosso melhor e pior

Por que agimos de determinada maneira? Essa é a principal pergunta que o neurobiólogo e primatólogo estadunidense Robert M. Sapolsky se propõe a responder em “Comporte-se: a biologia humana em nosso melhor e pior”, livro que lança em conversa com Arthur Mello e Fernanda Diamant – sócios da Megafauna. Eleito um dos melhores livros de 2018 pelos jornais Washington Post e Wall Street Journal, “Comporte-se” é uma investigação fascinante sobre as diferentes camadas que compõem os comportamentos humanos, buscando entender como nosso cérebro evoluiu paralelamente à cultura – e como essa complexa dinâmica ajuda a definir os impulsos que nos moveram ao longo da história.

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CLAUDIA RANKINE conversa com Stephanie Borges

Uma das mais reconhecidas pensadoras negras contemporâneas, Claudia Rankine lança “Só nós: uma conversa americana” em bate-papo com a poeta Stephanie Borges, tradutora de seus livros no Brasil. Em sua obra, Rankine cultiva uma escrita híbrida entre prosa e poesia que discute o racismo na sociedade americana. Seu novo livro nasceu de uma curiosidade: como as pessoas brancas encaram seu próprio privilégio? A partir dessa pergunta, a autora reúne ensaios, poemas e imagens que propõem uma reflexão sobre as expressões mais sutis do racismo, aquelas escondidas sob a polidez até mesmo daqueles que se consideram mais progressistas. Um debate extremamente relevante e ainda necessário em 2021, seja nos Estados Unidos, seja no Brasil ou em outras partes do mundo.

OS INDESEJADOS

O jornalista Rubens Glasberg apresenta seu novo livro “Os indesejados: uma história de refugiados no tempo do nazismo”, em conversa com o sociólogo Michel Gherman. A jornalista Marilia Neustein faz a mediação do evento.

Em “Os indesejados”, Glasberg conta a história dos seus pais, a partir do relato de sua mãe. Às memórias da família ele soma uma pesquisa de fôlego e a insere no contexto dos acontecimentos que marcaram a Europa no começo do século XX e culminaram no Holocausto. Mostra o Velho Mundo desmoronando pela força bruta da barbárie nazista; e ressalta o que o ser humano tem de pior, mas também a dignidade e a generosidade de tantos.

ARRUAÇAS

Histórias, aprendizagens e encantamentos. A filosofia popular das ruas está no centro de “Arruaças” e assim também é na conversa musicada com a cantora Fabiana Cozza e os autores do livro, Luiz Antonio Simas, Luiz Rufino e Rafael Haddock-Lobo. Lançado em 2020, “Arruaças” conquistou público e crítica com a sua proposta de descolonização do pensamento hegemônico. No livro, Simas, Ruffino e Haddock-Lobo — três pensadores e professores de escolas e universidades públicas — desafiam os conceitos de uma história única e linear através da apresentação de uma série de saberes com origem nas experiências cotidianas e ancestrais. Mediado pela jornalista Fernanda Guimarães, o encontro virtual terá a participação de Fabiana Cozza, que apresenta em sua música elementos aprendidos nos terreiros e festas populares, para contar e cantar um pouco sobre a filosofia das ruas.

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FORÇAS ESPECIAIS

A escritora chilena Diamela Eltit apresenta seu novo romance, “Forças especiais”, em um encontro imperdível com o escritor Julián Fuks, tradutor da obra. Autora de livros como “Jamais o fogo nunca”, Diamela consagrou-se por sua inventividade ao abordar assuntos como a violência e suas marcas. Em “Forças especiais”, ela conta a história de uma jovem que se prostitui numa lan house. Situado em um conjunto de blocos habitacionais, o romance é atravessado pelas “forças especiais”, tanto da polícia, que ocupa o local, como por aquelas de que a comunidade necessita para sobreviver à opressão. “Diamela produz obras muito singulares, únicas, irrepetíveis, e consegue renovar a sua própria forma ao longo dos anos”, comenta Fuks em entrevista ao blog da editora Relicário. 

VIVOS NA MEMÓRIA

Uma das mais relevantes críticas literárias do país, Leyla Perrone-Moisés lança seu novo livro, “Vivos na memória”, em uma conversa virtual com o jornalista e editor Alcino Leite Neto. “Eu não tenho nada de especial para contar a meu respeito, mas tenho muito a contar sobre pessoas que conheci”, afirma Leyla. Em “Vivos na memória”, ela combina fina análise e um olhar afetuoso para falar de grandes figuras das letras e das artes que foram essenciais para a sua formação, como Antonio Candido, Barthes, Cortázar, Lévi-Strauss e Leminski.

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25 ANOS DE "NA NATUREZA SELVAGEM

Lançado há 25 anos, “Na natureza selvagem”, de Jon Krakauer, conquistou leitores ao redor do mundo com a história real de Christopher McCandless, um jovem norte-americano que abandonou tudo em busca de um modo de vida mais autêntico, longe da sociedade de consumo e próximo da natureza do Alasca. Com fim trágico – Chris morreu de fome –, sua história comove até hoje. Responsável por tornar a saga de Chris conhecida, Krakauer conversa com a jornalista Bia Abramo e com Arthur Mello, sócio da Megafauna.

O ÚLTIMO GOZO DO MUNDO

Bernardo Carvalho lança seu novo romance em encontro virtual com o jornalista Manuel da Costa Pinto. O que pode restar de humanidade num Brasil dominado pela morte? É possível ter um projeto comum de futuro sem um relato coerente do passado? Essas são algumas das perguntas que ocupam a cabeça da protagonista de “O último gozo do mundo”. O livro gira em torno da história de uma professora de sociologia que, após ver o casamento desmoronar pouco antes do início de uma pandemia global, parte com seu filho pequeno para um retiro no interior do Brasil. Lá, conhece um homem que, depois de ter sobrevivido ao vírus ameaçador, passa a prever o futuro.

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ENTREVISTAS BRASILEIRAS

O curador Hans Ulrich Obrist lança “Entrevistas brasileiras vol. 2”, em encontro virtual com os artistas Bárbara Wagner e Benjamin de Burca. No livro, o curador e diretor da Serpentine Gallery reúne conversas com artistas, antropólogos, músicos, cineastas e outros pensadores do país, como Luiz Zerbini, Rosana Paulino, Nuno Ramos, Adriana Varejão, Isael Maxakali, Jota Mombaça, Karim Aïnouz, Sandra Benites, Carla Juaçaba e Emicida. Este encontro, com dois dos entrevistados do livro, dá uma palinha do projeto.

IMPASSES DA ABOLIÇÃO: O TREZE DE MAIO

Há 133 anos, a Lei Áurea decretava a abolição formal da escravidão. Apresentada ora como uma espécie de dádiva da Princesa Isabel e das elites dirigentes, anulando assim o protagonismo das camadas populares e dos movimentos sociais, ora como uma farsa, a abolição segue gerando debates sobre seu contexto e impactos na sociedade. Os significados do 13 de Maio de 1888 são discutidos no livro “O treze de maio e outras estórias do pós-Abolição”, uma seleção inédita de textos do escritor e jornalista maranhense Astolfo Marques (1876-1918). Conversam e leem trechos da obra o sociólogo Matheus Gato, organizador da coletânea, o escritor Paulo Lins, que assina o prefácio, e as atrizes Camila Pitanga e Lúcia Gato. O encontro tem mediação da jornalista Yasmin Santos.

NÃO VÃO NOS MATAR AGORA

O que vem depois do fim do mundo? O que vai acontecer quando o colonialismo moderno for destituído do seu pódio? A artista Jota Mombaça lança seu livro “Não vão nos matar agora” em um encontro com a dramaturga Leda Martins e o curador Hélio Menezes. Original e interdisciplinar, Mombaça combina poesia, teoria crítica e artes visuais para atacar a ética e a estética da distopia antinegra e anti-indígena, afirmando a resistência de corpos — e corpas — em um ambiente dominado por padrões opressivos. O evento conta com apoio do Pivô.

CONVERSA MUSICAL

José Miguel Wisnik e Guilherme Wisnik falam sobre música, arquitetura e política. Com José Miguel Wisnik ao piano, a conversa parte de um contraponto entre as obras de Tom Jobim e Oscar Niemeyer, passando pelo “infinito vão” (“imenso monolito / nossa arquitetura”) contido em “Drão”, de Gilberto Gil. Entre outras canções, o repertório terá “A Terra plana”, que saiu em videoclipe e single em outubro de 2020, e que fará parte do próximo álbum de José Miguel Wisnik, a ser lançado no segundo semestre deste ano.

LIVROS DE FORMAÇÃO

Na estreia da seção Livros de Formação, o escritor e pesquisador Edimilson de Almeida Pereira conversa com a nossa curadora Rita Palmeira sobre o impacto de As mais belas histórias, Dom Casmurro e A idade da razão – para citar apenas três dos livros escolhidos – em sua vida, fala sobre sua obra e sua recente incursão pelos romances.

O AR QUE ME FALTA

Em conversa com a escritora e roteirista Tati Bernardi, o editor e fundador da Companhia das Letra fala sobre seu livro mais recente, “O ar que me falta”, um sensível relato sobre sua família, e também sobre holocausto, culpa, depressão e traumas, seus e de terceiros.

POETAS HOJE

Quarenta e cinco anos depois da publicação de “26 poetas hoje”, que marcou época, Heloisa Buarque de Hollanda apresenta “As 29 poetas hoje”, uma nova antologia com jovens poetas brasileiras que versam, cada uma a seu modo, sobre identidade, sexo, amor, política e o Brasil de agora. Confira o bate-papo com Heloisa, um sarau com 26 das autoras do livro e a leitura de poemas de Ana Cristina César pela atriz Mariana Ximenes.

 

O ANO QUE NÃO TERMINOU

A epidemia do coronavírus e a angústia diante de um cenário tão turbulento fizeram de 2020 um ano atípico. Como lidar com o que emerge em tempos de necessidade de isolamento? Para discutir o ano que (ainda) não terminou, convidamos dois dos mais consagrados psicanalistas do país: Maria Homem e Christian Dunker. 

 

A TERRA PLANA

Novas versões de mundos, questões climáticas, ciência e negacionismo foram o tema da conversa entre o músico, compositor e ensaísta José Miguel Wisnik e o líder indígena Ailton Krenak.

Raduan 85

Uma homenagem a um dos maiores escritores brasileiros vivos. No dia 27 de novembro de 2020, Raduan Nassar completou 85 anos. Fruto de um encontro entre o autor, o cineasta Luiz Fernando Carvalho e a jornalista e também escritora Marilene Felinto, essa série de vídeos curtinhos realizada por Carvalho em parceria com a Megafauna reúne depoimentos inéditos, imagens de arquivo pessoal e registros recentes de Raduan, em uma celebração de sua vida e obra.

O pêssego

Raduan marcou a história da nossa literatura já em sua estreia, com Lavoura arcaica, em 1975. Ganhador do Prêmio Camões em 2016, o escritor que prefere o silêncio ao “barulho do mundo” faz poucas aparições e declarações públicas. No primeiro vídeo, registramos um desses raros momentos com Raduan, na intimidade de sua casa, comendo pêssegos enquanto recebe Luiz Fernando Carvalho e Marilene Felinto.

Fazer, fazer, fazer

Quando Raduan Nassar lançou Lavoura arcaica, foi logo consagrado como um dos nossos grandes escritores, por sua inventividade linguística. Depois da publicação de seu segundo título, Um copo de cólera (1978), porém, ele anunciou que pararia de escrever. No lugar da literatura, entraram a agricultura e a pecuária: “Mergulhei de cabeça na coisa.” Como ele resume a experiência? “Fazer, fazer, fazer”, diz Raduan.

Lagoa do sino

Da mesma forma como um dia havia se conectado com os livros, Raduan Nassar se conectou com a terra. Dos seus recém-completados 85 anos, pelo menos 30 foram dedicados à fazenda Lagoa do Sino, no sudoeste de São Paulo, onde se refugiou desde o início dos anos 1980, quando, em suas palavras, “mandou a literatura para o espaço”. “Nossa como eu trabalhei naquilo”, comenta orgulhoso no vídeo.

Tábua da salvação

“Eu encontrava na escrita uma espécie de tábua de salvação.” Após abandonar a escrita, Raduan Nassar interrompeu seu hiato somente na década de 1990, quando publicou Menina a caminho (1997), reunião dos contos “Menina a caminho”, “Aí pelas três da tarde”, “O ventre seco”, “Mãozinhas de seda” e “Hoje de madrugada”. Sua produção literária foi curta, mas seu impacto perdura.

Festa dos 85!

Carneiro e carne de sol com manteiga de garrafa. Enquanto não é possível realizar uma grande festa para comemorar seus 85 anos, Raduan Nassar relembra com a jornalista e escritora Marilene Felinto o cardápio e, mais importante, antigos encontros com amigos como Lula e Ariano Suassuna, no penúltimo vídeo da série em sua homenagem.

Saúde!

“Por um futuro melhor!” Encerrando a série em homenagem aos seus 85 anos, Raduan Nassar  brinda com Marilene Felinto e Luiz Fernando Carvalho, que registraram este encontro. Viva Raduan!

Entre Livros

Criado a partir de uma colaboração entre o Pivô e a livraria Megafauna, e inaugurando uma parceria estimulada pela vizinhança dos dois espaços no Edifício Copan, o projeto Entre Livros propõe o encontro, a troca e a construção de zonas de contato entre os campos da arte e da literatura.

Com mediação da curadora Pollyana Quintella, a cada mês um artista e um escritor são convidados a conversar sobre livros que tenham sido importantes para sua trajetória e formação, ou que sejam pontos de interesse na pesquisa atual.

Denilson Baniwa conversa com Ailton Krenak

Na estreia da série Entre Livros, contamos com uma conversa entre o artista Denilson Baniwa e o escritor Ailton Krenak, a partir da indicação do livro “A vida não é útil”.

Ana Vaz conversa com Juliana Fausto

Uma conversa entre a artista Ana Vaz e a autora Juliana Fausto, a partir da indicação do livro “A cosmopolítica dos animais”.

Rebeca Carapiá conversa com Leda Maria Martins

No terceiro episódio da série Entre Livros, contamos com uma conversa entre a artista Rebeca Carapiá e a autora Leda Maria Martins, a partir da indicação do livro “Afrografias da Memória: O Reinado do Rosário no Jatobá”.