DEPOIS DO FUTURO

DEPOIS DO FUTURO

Franco Berardi

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“O futuro é o objeto da própria ação linguística. O futuro é um efeito de linguagem.”

O primeiro livro da nossa Temporada no Futuro propõe uma investigação das concepções de futuro das vanguardas artísticas e políticas do século XX. Lançado aqui em 2019, mas publicado originalmente em 2009, no centenário do Manifesto Futurista, “Depois do futuro”, do filósofo e ativista italiano Franco Berardi, articula pensamento crítico, história e inúmeras referências culturais para mostrar como um futuro brilhante e promissor foi virado do avesso.

“Como o progresso e a utopia, tão celebrados no século XX, deram lugar a uma visão sombria? Se as vanguardas elogiavam os sonhos, o futuro e a tecnologia, a insistência das sociedades na guerra, no acúmulo de riquezas e na tecnologia voltada para o lucro tornaram o futuro um pesadelo. No entanto, a perspectiva punk de que ‘não há futuro’ pode ser um estímulo para mudar drasticamente o presente e suas consequências”, comenta a curadora da temporada, Stephanie Borges.

 


SOBRE O AUTOR

Franco “Bifo” Berardi nasceu em Bolonha, na Itália, em 1949. É graduado em estética pela Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade de Bolonha e tem atuação política desde a adolescência: participou da Juventude Comunista, do Potere Operaio durante o Maio de 1968, e do movimento anarcossindicalista italiano nos anos 1970. Morando em Paris, trabalhou com Félix Guattari no campo da esquizoanálise e frequentou os seminários de Michel Foucault. Entre muitos livros, escreveu “Depois do futuro” (2019), “Asfixia – capitalismo financeiro e a insurreição da linguagem” (2020) e “Extremo: crônicas da psicodeflação” (2020).


Máquina, velocidade e guerra. Parece mentira, mas essas já foram algumas das palavras-chave do que era considerado então um futuro brilhante. No dia 20 fevereiro de 1909, o poeta italiano Filippo Tommaso Marinetti (1876-1944)  publicou no jornal francês Le Figaro o seu Manifesto Futurista — a primeira declaração consciente do movimento cultural e artístico que encarnou e defendeu mais fortemente o rompimento radical com o passado para abrir caminho para um futuro de realização da plena modernidade.

“O século XX, linha de chegada e realização das promessas da modernidade, começa realmente quando os futuristas bradam com arrogância o advento do reino da máquina, da velocidade e da guerra”, comenta Franco Berardi em “Depois do futuro”, primeiro livro da nossa Temporada no Futuro. 

O Futurismo explodiu como reação e desejo de inovação na Itália e na Rússia, países nos quais a indústria chegou com atraso, e logo se espalhou por outros cantos. Sua expansão também se deu no campo estético. Suas propostas impregnaram a música, o teatro, o cinema, a fotografia, a arquitetura, a publicidade e a moda. Sua figura retórica predominante era a hipérbole — abusavam de frases exclamativas. E captar a velocidade, romper com a noção espaço-tempo, era uma das principais obsessões do movimento. 

É importante destacar também um ponto bastante espinhoso do Futurismo: sua afinidade com o fascismo, que mostraria suas garras nas décadas seguintes, principalmente em questões como o nacionalismo, a idolatria à violência e ao militarismo, e sua declarada desvalorização de tudo que associavam ao feminino. “A técnica é a força de domínio sobre a feminilidade entendida como fraqueza, fragilidade, ternura, submissão”, explica Berardi no livro. Com a Primeira Guerra Mundial, porém, o movimento começou a entrar em declínio: o conflito desumano estava muito distante do imaginário futurista de um porvir auspicioso.

Muitos anos depois, na Inglaterra de 1977, os Sex Pistols gritavam “No future”. Mas será que isso é mesmo possível, que há algum tempo já não temos futuro? “O futuro nunca acaba. Simplesmente não somos mais capazes de imaginá-lo”, argumenta Berardi. Prontos para mudar isso?


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