Festival Poesia no Centro 2026
“Poesia é o que não é poesia”, diz o poema visual que Augusto de Campos criou especialmente para a identidade visual do Festival Poesia no Centro 2026, e que se tornou uma inspiração para esta edição.
Ao apresentar este programa, temos a percepção de que esses tempos foram tomados pela poesia: ela está em todo lugar. Ocupou as mais variadas frestas da vida literária, ampliando espaços em festivais, projetos editoriais, veículos de comunicação, cavando ainda mais presença na vida cotidiana. A poesia que se manifesta em toda parte – e mesmo no que não é poesia – é também uma imagem que sintetiza o que buscamos, novamente neste ano e a longo prazo, ao propor uma ocupação temporária da região central de São Paulo.
Nesta segunda edição, nosso festival reafirma a intenção de contemplar a pluralidade de expressões da cena contemporânea. Para tornar isso possível, nossa estratégia é apostar em experimentações que alargam as formas de fazer curadoria, em processos que trazem muitas vozes para o diálogo. Nossa vontade é experimentar fluxos mais abertos e colaborativos de pesquisa, capazes de mapear a poesia que se faz hoje em diferentes contextos e regiões, ao mesmo tempo em que convidamos outras organizações culturais a construir parte da programação conosco.
Mais uma vez, o festival se inicia com o Circuito Poesia no Centro, programa que acontece ao longo da primeira quinzena de maio e que propõe uma intervenção poética em livrarias de rua e centros culturais do entorno da Megafauna. O Circuito é, também, a aposta que fazemos em um programa mais duradouro, com um conjunto de oficinas, leituras e apresentações que pode expandir a percepção das diversas formas de poesia.
Entre os dias 15 e 17 de maio, levamos ao Cultura Artística os programas Palco e Megafone.
Trouxemos para o Palco um conjunto vibrante e heterogêneo, uma amostra de poéticas que se voltam à fluidez de gênero, à liberdade do corpo e ao erotismo; à política e à história da América Latina; ao exílio imposto e a migrações não voluntárias, temas inescapáveis da atualidade; às formas fixas aos versos livres; ao diálogo com o clássico e à invenção do que está sempre por vir; à cultura pop, à poesia musicada e àquela que se aproxima do teatro.
Se o Palco propõe um tempo de escuta mais concentrada, o Megafone é onde deixamos que a poesia faça folia em nossas vidas, como diz o célebre verso de um de nossos compositores favoritos. Resultado da chamada aberta do festival, para a qual recebemos mais de 160 inscrições vindas das cinco regiões do Brasil, o programa também conta com alguns convidados especiais – entre eles Antonio Marinho e Isabelly Moreira, representando a Festa de Louro, festival de poesia e cultura da cidade de São José do Egito (pe) com quem estabelecemos intercâmbio – e acolhe performances breves e sucessivas, nas quais a poesia se expressa em efusividade coletiva, em festa.
Inauguramos neste ano uma breve programação voltada às infâncias: o Poesinha acontece nas manhãs do final de semana do festival e trará sessões de leitura e oficinas pensadas especialmente para que as crianças nunca deixem de amar a poesia.
A experiência se completa com o projeto Caixa de Poemas, que traz leituras nas vozes dos autores da programação em uma instalação cenográfica e que também compõem um acervo disponível nos canais digitais do Poesia no Centro.
Após intensa programação paulistana, o festival seguirá para uma pequena itinerância por Brasília: a Livraria Platô receberá alguns dos convidados do Palco para uma série de encontros na capital do país.
Nosso festival está em um início de caminho, e temos a expectativa de vê-lo contribuir com a cena da poesia brasileira a longo prazo, somando-se a uma infinidade de projetos e pessoas que leem, escrevem, editam, pensam e vivem poemas. A poesia passa por um momento pulsante, e é uma alegria que o Festival Poesia no Centro esteja acontecendo precisamente nesse momento.
Bom festival!