O guesa
- Autor(a): Joaquim de Sousândrade
- Editora: Selo Demônio Negro
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AUTOR: Joaquim de Souândrade
ISBN: 9788566423273
ANO DE EDIÇÃO: 2019
PÁGINAS: 382
FORMATO: 4 X 23
ISBN: 9788566423273
ANO DE EDIÇÃO: 2019
PÁGINAS: 382
FORMATO: 4 X 23
Esta edição especial de O GUESA recoloca em circulação o poema capital do autor maranhense Joaquim de Sousa Andrade, Sousândrade (1832-1902), numa edição para colecionadores. Pela primeira vez, desde a última impressão inglesa do fim do séc. XIX, este livro é recomposto e impresso em edição não fac similar, mantendo-se a ortografia da época, num projeto gráfico que recupera a estética oitocentista. Sousândrade precisou do caos, de um verso em rodopio, de uma linguagem híbrida, que é em si mesma uma quebra da linguagem, um combate com a língua dentro da própria língua.?Essa espécie de tensão bartlebyana o poeta realiza quando torce a língua materna e insere outros idiomas, fragmenta, urra, gagueja, hibridiza, cria cacofonia, dissonância e contraste, choque, aspereza e concisão. A linguagem se torna inoperante, a língua não é mais suficiente, uma fala apenas não é possível, é preciso uma polifonia, uma multiplicidade de vozes e idiomas. Do francês ao inglês, do holandês ao grego, do tupi ao latim, do português ao italiano, tudo está ali, a Babel repleta de suas confusões pós-intervenção divina. Diálogos poliglóticos exibem uma galeria de línguas e invencionices, rimas impossíveis transformam a fonética não apenas da sua língua, mas até das línguas que estão ali para subvertê-la. Palavras faltam e, portanto, são criadas e recriadas, numa morfologia impensável, como se pertencessem a outros idiomas (e muitas vezes pertencem).?Nesse caos, se entrevê um choque perpétuo, uma destruição constante, uma construção de catástrofes, de ruínas, que inscreve a poesia de Sousândrade, como disse Haroldo de Campos, toda ela num espaço de ruptura. Em sua semântica fugidia, o poema se torna o espaço do singular, daquele que sai do centro (o ex-cêntrico), da não-linearidade, do que não é regular, do fragmentário, do prismático, do monstruoso, do informe. O ritmo não se apresenta mais como ordem, mas como batida, como deformação, não mais a voz, mas o grito, o gesto, a desarmonia ou ainda a dilaceração de toda harmonia. [Ana Carolina Cernicchiaro]
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