Os Infernos Artificiais
- Autor(a): Manuel de Freita
- Editora: Editora Corsário-Satã
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AUTOR: Manuel de Freita
ISBN: 9786599746253
ANO DE EDIÇÃO: 2022
PÁGINAS: 122
FORMATO: 18 X 1
PESO: 200G
ISBN: 9786599746253
ANO DE EDIÇÃO: 2022
PÁGINAS: 122
FORMATO: 18 X 1
PESO: 200G
Os Infernos Artificiais é o segundo livro que Manuel de Freitas publicou em Portugal, há exatos 21 anos, pela editora Frenesi. Agora, pela nossa casa editorial, ele recebe esta edição brasileira. Sérgio Lima, no texto de orelha, diz o seguinte: À minha primeira leitura de Os Infernos Artificiais (frenesi, 2001) – segundo conjunto de poemas do português Manuel de Freitas – encontrava-me em Lisboa e tive o privilégio de dizer ao poeta (sentado numa das saudosas poltronas do primeiro andar esquerdo da Rua dos Correeiros, 60) que considerava aquele um de seus livros mais pungentes. Ainda àquela altura – em meados de 2014, e já como leitor de obras bem posteriores – pude reconhecer nestes poemas de juventude (leia-se: escritos na década anterior à da publicação, por um poeta ao viço dos vinte e poucos anos) a singularidade e a gravidade expressiva de uma voz própria, que haveria de se tornar, logo depois dali, fundamental para poesia portuguesa deste século. Mas se parto da inelutável verdade de que a um livro, como a um poema, chega-se sempre tarde, é também para dizer sobre o gesto que acompanha a sequência de Os Infernos Artificiais. Refiro-me ao que – do jogo estabelecido pela anversa alusão a Baudelaire adiantada no título (mas também em versos: “É uma coisa furibunda – viver/ à mercê de alguém que não virá, anjo/ ou demónio que nos tornaria o rosto enfim habitável”) – acusa-se na palavra pelo ambíguo movimento que é, contrária e simultaneamente, resgate e perda, exposição e abandono; afirmação e negação poiética (“Este poema nem sequer é um poema” ou “Ao menos isto, que nem sequer nada”). Atente-se o leitor a tal negatividade (potência, reconheça-se, de toda língua) a fim de assistir à excruciante partilha de um mundo observado “entre ruínas, destroços, perdidas imagens”. São restos de cidades (bares, tabernas, cafés e outros lugares desaparecidos), resíduos de corpos, de afetos, de música; excreções metapoéticas (“As palavras afluíram-lhe então/ como um vómito frio e cansado/ dentes podres de uma musa/ ‘que já foi com todos’); cadáveres, enfim, a entoarem – num assente agror verbal, e sem pouca ironia – o impiedoso embate entre a exceção do inútil e o excesso do útil; entre o im-produtivo que enreda a fatídica existência infernal da língua e a programada e irrestrita ilusão de paraíso a fazer crescer e multiplicar suas imagens.
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TEMPORADA NO FUTURO
TEMPORADA CONTRA TIRANIA