Ou o Silêncio Contínuo
- Autor(a): Marcelo Ariel
- Editora: Kotter
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ISBN: 9786580103065
ANO DE EDIÇÃO: 2019
PÁGINAS: 486
ENCADERNAÇÃO: BROCHURA
FORMATO: 23 X 2
e., toda sua política) de Marcelo Ariel fosse a tentativa de criar uma linha de fuga a esse Devir-Cubatão que o assola, que nos assola como o “ANJO DA HISTÓRIA * NOSSO INIMIGO”, e permitir a “a invasão das fagulhas de novas sinapses, / novas configurações da mente / nas crianças, nos loucos, nos índios e nos chamados poetas, / seus símiles novas sinapses invadindo / como estes desabrigados invadem os prédios, / mas as sinapses não dependem, nem esperam apenas invadem / como os sem-terra, os sem-teto / o espaço delimitado”. Daí a importância do surto (“surto cósmico”, “estados surtológicos”, “é preciso trincar o nome das coisas com o surto”), que instaura um estado, nomadológico em relação a(o) si, e dialógico com o outro (“Os movimentos de nomadismo dialógico que chamamos de conversas, diálogos são para o ser o mesmo que O SONHO ou O SURTO”) e em que se trata de ser invadido, de tornar-se uma invasão, um espaço de resistência (“O DEVIR NEGRO INAUGURA O QUILOMBO INTERIOR DE CADA SER”). Mas a ontologia política aqui não é enunciada. É performada. Ela se faz – a cada poema, a cada poiesis, porque em jogo está uma transformação do que nós somos e também da linguagem que somos e que é: “Somos como letras / num poema, / da ausência inconcebível do antes / à falsa nulidade do depois / Também somos o sopro / que se move / entre os dois”, como lemos em “Ontologia e signo”. Não se trata então somente de contaminar a poesia pela política, mas também, dada a aliança que se propõe, de devir-poética a política: “Cancela a usina / com o cantar / porque a voz está / no rio abraçando o mar”. Ao fim e ao cabo, Ariel nos exorta a fazer “uma caminhada por dentro de lugares que aparentemente nos sonham pelo lado de fora”, na forma de sucessivos surtos, isto é, poemas, isto é, diálogos com a alteridade radical que nós somos, que nós podemos ser, se tomarmos a “DECISÃO SURTOLÓGICA DE NASCER”, se produzirmos em nós esse “incêndio ao contrário”. Afinal, “É impossível encontrar quem não saiu de si”.
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