Revista Continente - Dezembro - Nº 264
- Autor(a): Cepe
- Editora: Revista Cepe
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ADAPTAÇÃO: Cepe
ANO DE EDIÇÃO: 0
ISBN: 977180875500300264
PÁGINAS: 0
ENCADERNAÇÃO:
FORMATO: 30 X 1
PESO: 251G
ANO DE EDIÇÃO: 0
ISBN: 977180875500300264
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Sonho e esperança No final de um ano que trouxe muita tensão política em decorrência das últimas eleições, a gente traz na capa a manchete “Sonho & Esperança”, num misto de vontade e presságio. Embora sirvam de emblema para nossos desejos, essas duas palavras de significados benfazejos se referem ao longa-metragem Marte Um, que vem fazendo uma carreira bonita nos festivais por onde tem passado e que se tornou, como aponta Luciana Veras, “o primeiro longa-metragem de um realizador negro a ser escolhido para representar o país na disputa por uma indicação ao Oscar de melhor filme internacional”. Um fato importante em torno do filme é o protagonismo negro. “Para mim, Marte Um é um aquilombamento”, comenta Camilla Damião. “Todos nós viemos de um processo de pessoas brancas que contam nossas histórias do ponto de vista delas. E quando Gabriel (Martins, o diretor) vem com esse roteiro, com essa família, não é só a história da Nina e do Deivinho, mas a minha história e de várias pessoas desse país que geralmente não têm suas histórias mostradas na TV ou no cinema”. O filme ainda percorre jornadas para chegar a concorrer, de fato, ao Oscar. Mas essa indicação já é uma vitória da mensagem sobre a importância de se ampliar o protagonismo de cineastas afro-brasileiros e/ou negros na produc¸a~o audiovisual no país. Também contamos um pouco da trajetória de Paulo André Pires, figura fundamental na movimentação cultural do início dos anos 1990 em Pernambuco. Neste ano em que o Manguebeat comemorou seus 30 anos, a repórter Débora Nascimento teve uma longa conversa com o produtor cultural, que contou a ela suas lembranças do período, os bastidores e causos. Para ele, foi no Natal de 1992 que houve a verdadeira guinada, o fim de um período de marasmo: “Naquele fim de ano, aconteceram três diferentes festas alternativas numa mesma noite e todas lotadas: Mangue Feliz, com Mundo Livre S/A e Chico Science & Nação Zumbi; uma festa na Pousada Quatro Cantos, com Paulo Francis vai Pro Céu e Maracatu Nação Pernambuco; e o Natal da Sopa, com show de Lula Côrtes, em que o artista chegou ao local numa charrete e vestido de Papai Noel”. Parece que esse presságio era verdadeiro. No ano seguinte, em 1993, ocorreria a primeira edição do Abril pro Rock, festival criado por Paulo André. De nossa parte, o desejo é de uma nova virada de chave, de renascimento, de novos rumos para a política cultural brasileira, de sonho, de esperança renovada no ano que se anuncia.
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