A CIDADE DAS AVES
- Autor(a): Tereza Andrade
- Editora: Lamparina
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ADAPTAÇÃO: Tereza Andrade
ANO DE EDIÇÃO: 2024
ISBN: 9788583160618
PÁGINAS: 0
ENCADERNAÇÃO: BROCHURA
FORMATO: 21 X 2
PESO: 300G
ANO DE EDIÇÃO: 2024
ISBN: 9788583160618
PÁGINAS: 0
ENCADERNAÇÃO: BROCHURA
FORMATO: 21 X 2
PESO: 300G
O leitor há de notar que A cidade das aves é um livro pensado ao longo dos anos. Não é fruto do acaso e do improviso. Tereza monta um mosaico da memória que tem alcance crítico. Passa longe do ufanismo que acompanha toda a mitologia do progresso que preside a formação e o crescimento do Estado de São Paulo, capital e cidades do interior. A cidade das aves foi escrito na contramão da história oficial e me faz lembrar Walter Benjamin, quando escreveu que a história deve ser contada do ponto de vista dos vencidos. É dos vencidos que o livro de Tereza trata. É das ruínas do progresso que esse livro nasce. A ocupação violenta e predatória de uma região do Oeste de São Paulo define-se do ponto de vista do livro – ao mesmo tempo geográfico, pessoal e familiar, histórico e social, cultural e humano. O Rio Paranapanema, o sítio do Taquaruçu, os sítios e os colonos, os kaingang, os imigrantes, a destruição da natureza e a clara intenção genocida de acabar com os índios, primeiros habitantes da terra, acossados desde o início da colonização portuguesa nos trópicos. A rigor, o primeiro vértice crítico é a relação do capitalismo que avança com a natureza e os índios. É sempre uma relação destrutiva, e Tereza sabe narrar os resultados negativos, ao mesmo tempo em que salva a memória do que foi destruído. É um ponto de vista bonito e melancólico, porque o que foi destruído não pode ser recuperado. O trabalho da memória em A cidade das aves, caminhando na contramão da mitologia do progresso de São Paulo, mantém viva a memória. Faz isso a seu modo, em busca de um tempo perdido, mirando com tristeza a terra devastada e os modos de vida deixados para trás. O contraponto crítico central é esse: a memória pessoal e familiar, as cenas da vida cotidiana de gente comum, a variedade e a beleza do mundo natural, os modos de vida e a cultura dos kaingang, os sítios e as pequenas propriedades, o rio, as águas, as aves, em oposição aos poderosos e proprietários, interessados em ocupar o território, montar fazendas, expulsar os índios, sufocar a sobrevivência dos pequenos sitiantes, deixando como resultado um rastro de restos e ruínas. O nome desse rastro de restos e ruínas – lembrando novamente Walter Benjamin – é progresso. André Bueno
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