ADEUS, CAVALO
- Autor(a): Nuno Ramos
- Editora: Iluminuras
R$ 59,00
FORMAS DE PAGAMENTO
Pix
1 x sem juros de R$ 59,00 no Pix
Cartão de Credito
1 x sem juros de R$ 59,00 no Cartão de Credito
Boleto
1 x sem juros de R$ 59,00 no Boleto
AUTOR: NUNO RAMOS
ANO DE EDIÇÃO: 2017
ISBN: 9788573215700
PÁGINAS: 80
ENCADERNAÇÃO: BROCHURA
FORMATO: 13.5 X 20.5
PESO: 129G
ANO DE EDIÇÃO: 2017
ISBN: 9788573215700
PÁGINAS: 80
ENCADERNAÇÃO: BROCHURA
FORMATO: 13.5 X 20.5
PESO: 129G
Cavalo possessão, cavalo batuque, cavalo palavra. ´Longe da chicotada dada no cavalo do conto Kholstomér (1886), de Tolstói (cavalo cuja voz conduz a narrativa, dando origem a um tipo de estranhamento na literatura, como escreveu Viktor Chklovsky em A arte como procedimento, de 1917), e mesmo do cachorro que permitiu ao cineasta Jean-Luc Godard dizer Adeus à linguagem (2014), Adeus, cavalo reúne a experiência da possessão e a vida dos despossuídos em uma linguagem galopada. ´Tenho a voz de um cavalo´. Cavalo bom. Estou possuído. Uma voz móvel, solta, torna-se um oráculo ambulante, fazendo das repetições da palavra cavalo não apenas um refrão, mas agrupamentos temporários que recuperam formas teatrais estabilizadas no Ocidente em nomes como Ésquilo, Shakespeare, Racine, Beckett e Artaud. Parece que as falas produzidas por esses autores estão no mesmo barco, cujo ponto de partida foi a própria península ibérica com a noção barroca de Theatrummundi, isto é, o mundo como um grande teatro. Assim, o espírito barroco, já presente em Sermões (Iluminuras, 2015), mistura-se e perde-se em formas teatrais mais instáveis. Nessas formas teatrais instáveis e não nomináveis, que dependem tanto de entidades de um mundo oculto quanto do ´ritmo sincopado que há na lama´, dos ´desastres que a chuva causa´, do ´passo das inundações e dos bichos mancos e sem asa´, ouvem-se ainda os gritos dos peregrinos que bradam em refrão ´eu pago´, como se tivessem o direito de trocar catástrofes por catarses, uma vez que compraram o ingresso. A troca, todavia, é mais complexa. Nuno Ramos é um autor-cavalo que busca equivalências impossíveis. Por exemplo, em um dos filmes que fez para a série ´Ensaio sobre a dádiva´, cavaloporPierrô (2014), acontece uma troca de um pierrô por um cavalo. Dois motociclistas perseguem e sequestram um pierrô em um parque de diversões abandonado e vão até uma casa para trocá-lo por um cavalo. Depois da troca, quando liberado, o cavalo vaga sozinho pelas ruas de uma cidade vazia. Em Adeus, cavalo, lemos que ´a técnica do ator é a da memória feita cavalo - no sentido galope do termo, quando o animal reconhece o caminho de casa depois de um longo passeio. É a técnica da fuga transferida à glote, à narina, às partes externas do grande fole. A soma das vozes fugindo em distorções da garganta, matizes agudos e graves, trejeitos sutis, pigarros. No entanto, olhando para trás, reparando bem, é possível perceber os pequenos sinais que deixou enquanto fugia. Suas pegadas.´Ésquilo, Shakespeare, Racine, Beckett e Artaud. Parece que as falas produzidas por esses autores estão no mesmo barco, cujo ponto de partida foi a própria península ibérica com a noção barroca de Theatrummundi, isto é, o mundo como um grande teatro. Assim, o espírito barroco, já presente em Sermões (Iluminuras, 2015), mistura-se e perde-se em formas teatrais mais instáveis. Nessas formas teatrais instáveis e não nomináveis, que dependem tanto de entidades de um mundo oculto quanto do 'ritmo sincopado que há na lama', dos 'desastres que a chuva causa', do 'passo das inundações e dos bichos mancos e sem asa', ouvem-se ainda os gritos dos peregrinos que bradam em refrão 'eu pago', como se tivessem o direito de trocar catástrofes por catarses, uma vez que compraram o ingresso. A troca, todavia, é mais complexa. Nuno Ramos é um autor-cavalo que busca equivalências impossíveis. Por exemplo, em um dos filmes que fez para a série 'Ensaio sobre a dádiva', cavaloporPierrô (2014), acontece uma troca de um pierrô por um cavalo. Dois motociclistas perseguem e sequestram um pierrô em um parque de diversões abandonado e vão até uma casa para trocá-lo por um cavalo. Depois da troca, quando liberado, o cavalo vaga sozinho pelas ruas de uma cidade vazia. Em Adeus, cavalo, lemos que 'a técnica do ator é a da memória feita cavalo - no sentido galope do termo, quando o animal reconhece o caminho de casa depois de um longo passeio. É a técnica da fuga transferida à glote, à narina, às partes externas do grande fole. A soma das vozes fugindo em distorções da garganta, matizes agudos e graves, trejeitos sutis, pigarros. No entanto, olhando para trás, reparando bem, é possível perceber os pequenos sinais que deixou enquanto fugia. Suas pegadas.'
TEMPORADA NO INFERNO
TEMPORADA NO FUTURO
TEMPORADA CONTRA TIRANIA