AFINADO DESCONCERTO
- Autor(a): Espanca, Florbela
- Editora: Iluminuras
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ISBN: 9788573213737
ANO DE EDIÇÃO: 2000
PÁGINAS: 392
ENCADERNAÇÃO: BROCHURA
FORMATO: 23 X 2.2
PESO: 450G
O fluxo destas prosas (ficcionais e autobiográficas) que, dos contos, atravessa as cartas para derramar-se no diário (derradeiro ato de Florbela) – é a pretendida nudez diante de um espelho, afinal ingrato, pois que a despe ainda em outra e outra, desconsolo fatal para quem, por fim, se buscava una, muito embora se tivesse encenado em hidra de mil rostos, em face mutável do eterno feminino. Trancada no seu palco (na sua cela de sóror, no desterro em que foi se emparedando, na solidão carcerária à imagem do casulo, da urna, do útero primevo), Florbela exibe agora, pateticamente, sua tragédia pessoal, que (antes) ficara travestida no jogo das personagens de que (então) se investia nas suas produções. Delta da fusão definitiva da arte e da vida, o diário as amalgama (de tal forma) que acaba por se dar a ler (nas síncopes dos seus pulsantes fragmentos) como uma vibrátil cartografia remissiva e fantasmática de tudo quanto escreveu, expondo o corpo (a caligrafia) de todos os textos. Ondulam-se nele os motivos da sua poética e da sua narrativa: a nostalgia de um mundo aquém da vida, a perscrutação lírica, a confiança na Senhora Dona Morte, o louvor à instabilidade dos sentimentos, a glória de compreensão dos seres inanimados, o desafio à sorte sinistra, a melancolia dolorosa, a espera do Prince Charmant, a defesa do suicídio, a intuição oracular, o panteísmo, a aura saturnina, a revolta do interdito, o cumprimento da pena de ter nascido, a introspecção impressionista, a visão desencantada, os vasos comunicantes com o universo, o litígio com o social, o sensualismo sedutor, a apreensão do circundante enquanto cambiantes da alma, o monólogo com a solidão, o envolvimento cósmico, o fazer sala no mundo.
O leitor encontra aqui os contos “Carta da Herdade”, “À margem dum soneto”, “O regresso do filho”, “O aviador”, “Os mortos não voltam”, “O resto é perfume”, “O inventor” e “O sobrenatural”: aqueles dedicados ao feminino, à província alentejana e à morte (onde o fantástico faz a sua aparição na prosa de Florbela). Catorze peças da sua cor
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