Clavicórdio
- Autor(a): Andreia C. Faria
- Editora: Jabuticaba
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AUTOR: Andreia C. Faria
ISBN: 9786501548456
ANO DE EDIÇÃO: 2025
PÁGINAS: 116
ENCADERNAÇÃO: BROCHURA
FORMATO: 1 X 21
PESO: 250G
ISBN: 9786501548456
ANO DE EDIÇÃO: 2025
PÁGINAS: 116
ENCADERNAÇÃO: BROCHURA
FORMATO: 1 X 21
PESO: 250G
"Enquanto uma mulher que perdeu parte do corpo durante uma explosão na guerra sente vertigens ao olhar para o céu, outra mulher abre a barriga de um peixe-lua com uma faca e enfia sua mão nas entranhas viscosas do bicho. Em outro lugar – não sabemos se perto ou longe – existe uma terceira mulher. Ela limpa os quartos de uma pensão caindo aos pedaços, enquanto outra mulher se pergunta sobre o que significa escrever e observa as pontas dos seus dedos cheias de verrugas, verrugas que, de repente, se transformam em pequenas estrelas mortas, mesmo mortas seguem irradiando luz. A presença ou o fantasma das mãos, mas, também, do sexo, do passado e de pequenas violências cotidianas assombram as personagens das sete histórias que compõem Clavicórdio, da portuguesa Andreia C. Faria. Essas mulheres vivem no limite entre a sujeira, o mau cheiro, as coisas que apodrecem e uma beleza estranha e erótica que emerge do contato, sem anteparos, da vida com aquilo que a contém de modo mais concreto: o corpo, a carne, os odores, a pele rugosa e repulsiva, mas, também, a linguagem. Andreia C. Faria nasceu na cidade do Porto, em 1984, publica desde 2008 e sua obra – ela escreve, sobretudo, poemas – vem recebendo inúmeros prêmios no seu país. Clavicórdio é uma pequena obra-prima de gênero indefinido, ou melhor, de gênero fugidio, como se o poema fosse um animal faminto que, assim como as cracas que devoram o casco dos navios, corrói a linearidade das frases, a racionalidade do enredo, e instauram a intensidade do verso nessas vagas linhas longas que a autora estica como uma corda, para depois, como num estranho instrumento musical, suave e metálico, fazer ressoar." -- Flávia Péret "Ele entra-me nos sonhos como uma doença, com um brilho de penas desfeitas. Entra esmagado e vivo como um animal. Pende-me dos sonhos desunido, desdobrado, posto na garganta a florir. Como a flor da japoneira, ele pesa e abre as suas mil insones pálpebras, decalca a geométrica abundância de tudo o que respira e se replica. Ele é o fruto frio sobre as teclas do meu estranho clavicórdio. O meu coração vive e expulsa-me da sua vida, existo para ele como súbita carne mudada, a besta que entre tarefas transforma a sua espécie em palavras.
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