Crônica de Berlim
- Autor(a): WALTER BENJAMIN
- Editora: 7letras
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ADAPTAÇÃO: WALTER BENJAMIN
ANO DE EDIÇÃO: 2024
ISBN: 9786559056736
PÁGINAS: 188
ENCADERNAÇÃO: CAPA DURA
FORMATO: 14 X 0
PESO: 200G
ANO DE EDIÇÃO: 2024
ISBN: 9786559056736
PÁGINAS: 188
ENCADERNAÇÃO: CAPA DURA
FORMATO: 14 X 0
PESO: 200G
Centro de um texto sem centro, núcleo da escrita móvel de Benjamin, Berlim abre-se ao leitor dessa Crônica como um dia teria se aberto, cheia de mistérios, fulgurações e fantasmagorias, aos olhos e aos ouvidos da criança que passeou pelas suas ruas. As imagens deslocadas, os sons mais insignificantes são recuperados no texto, que se volta quase sempre para cenas da vida comum. São nelas, nessas cenas – nas visitas à casa da avó, nas manhãs de compras, na frequentação dos parques e do Zoo, na rotina e na arquitetura interior dos cafés – que o espaço se revela de fato. A cidade é como um organismo vivo – como a própria memória: cresce e modifica-se permanentemente, desfigura-se. Também pode, em certo sentido, desaparecer. A cidade-livro, que se deixa ler e que demanda ser escrita continuamente. Para Benjamin, Berlim é como um palimpsesto (para retomar a hipótese freudiana sobre o funcionamento da memória): camadas de tempo e de vivências se acumulam e sobrepõem. As ruínas da cidade da infância estão soterradas sobre a nova capital que a Grande Guerra, as crises e catástrofes construíram. A Crônica, escrita de modo descontínuo, é capaz de absorver e transformar em princípio estilístico as disjunções da História. Pela escrita, estilhaços de tempos e espaços distintos se sobrepõem na cidade, que passa a existir, no texto, não como documento ou testemunho apenas, mas sob o signo do sonho e da invenção – Paris projeta-se sobre Berlim, as andanças atuais do escritor na cidade estrangeira dobram-se sobre os passos pregressos da criança e do adolescente. As formas da condensação e do deslocamento presidem a tarefa da rememoração. A cidade é estranha e familiar. É casa e exílio. Os fragmentos escritos pelo autor sobre a cidade assemelham-se, em muitos momentos, ao que ele definiu em outro lugar como “imagens do pensamento”. Rasgos impressivos deixados pela vivência em Berlim metamorfoseiam-se em instantâneos reflexivos, imagens-síntese que, no entanto, não fixam o sentido. Escandem as recordações ao apresentá-las sob a forma paradoxal do tempo espacializado. Benjamin anota: “a lembrança não é um instrumento de exploração do passado, mas seu palco”. Os quadros do passado desfilam no presente da escrita – perdem a sua grandeza monumental e seu ar sagrado, transformam-se em “iluminação repentina”, como se “um pó de magnésio ardente” acendesse sobre cenas perdidas uma chama capaz de as incendiar por dentro, fazendo com que permitam, desse modo, ver as coisas, o mundo, novamente com intensidade.
TEMPORADA NO INFERNO
TEMPORADA NO FUTURO
TEMPORADA CONTRA TIRANIA