O FALSO MENTIROSO
- Autor(a): Silviano Santiago
- Editora: Rocco
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AUTOR: Silviano Santiago
ISBN: 9786555325591
ANO DE EDIÇÃO: 2025
PÁGINAS: 224
ENCADERNAÇÃO: BROCHURA
FORMATO: 21 X 1.5
PESO: 250G
ISBN: 9786555325591
ANO DE EDIÇÃO: 2025
PÁGINAS: 224
ENCADERNAÇÃO: BROCHURA
FORMATO: 21 X 1.5
PESO: 250G
O FALSO MENTIROSO: paradoxo atribuído a Euclides de Mileto (século IV a.
C.), cuja forma mais simples é: se alguém afirma “eu minto”, e o que diz é verdade, a afirmação é falsa; e se o que diz é falso, a afirmação é verdadeira e, por isso, novamente falsa.— Enciclopédia MiradorSamuel é rápido no gatilho, obsessivo e demoníaco. Na casa dos sessenta anos, é artista plástico e mora no Rio de Janeiro com a esposa surda-muda, Esmeralda, com quem tem dois filhos. O romance, somos informados, narra a história da vida intrincada desse homem. Mas será que a vida que nos é narrada pertence realmente a ele? Certos “fatos” das memórias de Samuel nos incentivam a identificar o narrador com o autor, Silviano Santiago. Ele nos intriga. Para piorar as coisas, o personagem se declara mentiroso: se a afirmação for verdadeira, então ele está mentindo, e o que ele declara é falso; se, no entanto, a afirmação for falsa, ele não é um mentiroso e, sim, um “falso mentiroso”. Mente ao dizer que mente, embora de vez em quando diga a verdade... Em que Samuel – ou esse Silviano inspirado nos heterônimos de Fernando Pessoa – quer que acreditemos?O falso mentiroso é um livro picaresco e divertido que brinca com a própria identidade da obra autobiográfica, ampliando com engenhosidade as controvérsias críticas relativas à divisão entre fato e ficção, e às ideias de subjetividade, autoria e representação.
No percurso de sua autoanálise, o narrador astucioso de Silviano nos oferece uma versão sardônica do drama edipiano: sua ascendência incerta é o ponto de partida para a proliferação transbordante de vários eus (i)legítimos, cada um com seus próprios amores, verdades e ficções. Esse ser compósito é inevitavelmente oprimido por múltiplos pais, que de tal maneira pesam sobre ele, que acaba precisando ir ao médico para fazer tração. A narrativa de Samuel reflete sobre uma vida profissional forjada no questionamento de genealogias constrangedoras e na prática afirmativa da adoção – simulada – das muitas histórias contraditórias, peculiaridades e paixões que compõem e rasgam a chamada “identidade”. A voz narrativa fala com autoridade da filosofia da cópia e da apropriação, e da arte de ser similar e do que paira num entre-lugar.
Poderia haver melhor coroação de uma carreira profissional do que a maravilhosa ironia de uma narrativa profundamente preocupada com a impossibilidade da autonomia artística e com as relações biológicas e reprodutivas? E que, ao mesmo tempo, se apresenta como uma surpreen
C.), cuja forma mais simples é: se alguém afirma “eu minto”, e o que diz é verdade, a afirmação é falsa; e se o que diz é falso, a afirmação é verdadeira e, por isso, novamente falsa.— Enciclopédia MiradorSamuel é rápido no gatilho, obsessivo e demoníaco. Na casa dos sessenta anos, é artista plástico e mora no Rio de Janeiro com a esposa surda-muda, Esmeralda, com quem tem dois filhos. O romance, somos informados, narra a história da vida intrincada desse homem. Mas será que a vida que nos é narrada pertence realmente a ele? Certos “fatos” das memórias de Samuel nos incentivam a identificar o narrador com o autor, Silviano Santiago. Ele nos intriga. Para piorar as coisas, o personagem se declara mentiroso: se a afirmação for verdadeira, então ele está mentindo, e o que ele declara é falso; se, no entanto, a afirmação for falsa, ele não é um mentiroso e, sim, um “falso mentiroso”. Mente ao dizer que mente, embora de vez em quando diga a verdade... Em que Samuel – ou esse Silviano inspirado nos heterônimos de Fernando Pessoa – quer que acreditemos?O falso mentiroso é um livro picaresco e divertido que brinca com a própria identidade da obra autobiográfica, ampliando com engenhosidade as controvérsias críticas relativas à divisão entre fato e ficção, e às ideias de subjetividade, autoria e representação.
No percurso de sua autoanálise, o narrador astucioso de Silviano nos oferece uma versão sardônica do drama edipiano: sua ascendência incerta é o ponto de partida para a proliferação transbordante de vários eus (i)legítimos, cada um com seus próprios amores, verdades e ficções. Esse ser compósito é inevitavelmente oprimido por múltiplos pais, que de tal maneira pesam sobre ele, que acaba precisando ir ao médico para fazer tração. A narrativa de Samuel reflete sobre uma vida profissional forjada no questionamento de genealogias constrangedoras e na prática afirmativa da adoção – simulada – das muitas histórias contraditórias, peculiaridades e paixões que compõem e rasgam a chamada “identidade”. A voz narrativa fala com autoridade da filosofia da cópia e da apropriação, e da arte de ser similar e do que paira num entre-lugar.
Poderia haver melhor coroação de uma carreira profissional do que a maravilhosa ironia de uma narrativa profundamente preocupada com a impossibilidade da autonomia artística e com as relações biológicas e reprodutivas? E que, ao mesmo tempo, se apresenta como uma surpreen
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TEMPORADA NO FUTURO
TEMPORADA CONTRA TIRANIA