PARCELADO
- Autor(a): Kauê Lopes dos Santos
- Editora: Fósforo Editora
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AUTOR: KAUÊ LOPES DOS SANTOS
ISBN: 9786560001794
ANO DE EDIÇÃO: 2026
ENCADERNAÇÃO: BROCHURA
FORMATO: 20 X 0.7
PESO: 187G
ISBN: 9786560001794
ANO DE EDIÇÃO: 2026
ENCADERNAÇÃO: BROCHURA
FORMATO: 20 X 0.7
PESO: 187G
Parcelado: dinâmicas de consumo na periferia , do geógrafo Kauê Lopes dos Santos, é um mergulho na complexa realidade dos bairros paulistanos Jardim Helena, Brasilândia e Jardim Ângela para entender como o acesso ao crédito formal transformou o cotidiano da população de baixa renda, e de maioria negra, da maior metrópole do país. Fruto de uma extensa pesquisa que inclui entrevistas com moradores dessas regiões, a obra desafia a visão otimista da “inclusão financeira”, revelando que a modernização do consumo coexiste com a precariedade estrutural. Santos observa que, enquanto o Estado e o mercado falham em oferecer saneamento e transporte de qualidade, as grandes redes de varejo são onipresentes e a compra parcelada é o motor dessa dinâmica: “Tudo aqui foi comprado parcelado”, resume Maria do Carmo, uma das entrevistadas, que se orgulha de sua TV de 43 polegadas, apesar de viver em uma casa que apresenta marcas de umidade e rachaduras.
Com uma fusão de análise de dados e observação do cotidiano de moradores das periferias, o autor demonstra, com linguagem direta e descomplicada, que se antes a população pobre e negra era excluída “de sistemas educacionais, mercados formais de trabalho e circuitos de valorização urbana”, hoje ela está inserida em outro processo que a torna “subordinada aos mecanismos do capital financeiro”. Ao argumentar que o crédito não é apenas um facilitador, mas um modo de gerir a escassez, Santos prova que as populações das periferias se veem diante de um endividamento crônico, que se tornou uma regra alienadora de futuros: “A gente não trabalha mais só para viver, a gente trabalha para não afundar”, relata Solange, moradora da Brasilândia que acumula três turnos de trabalho para quitar boletos. Como diz o romancista Ferréz em seu texto de orelha, “as entrevistas [do livro] falam de mim, da minha mãe, do meu pai, da tentativa desesperada de ter algo que alivie esta vida dura”. Com posfácio do urbanista João Sette Whitaker Ferreira, Parcelado é um convite para refletir sobre a cidadania mediada pelo boleto, em que os objetos de desejo chegam antes dos direitos fundamentais.
Com uma fusão de análise de dados e observação do cotidiano de moradores das periferias, o autor demonstra, com linguagem direta e descomplicada, que se antes a população pobre e negra era excluída “de sistemas educacionais, mercados formais de trabalho e circuitos de valorização urbana”, hoje ela está inserida em outro processo que a torna “subordinada aos mecanismos do capital financeiro”. Ao argumentar que o crédito não é apenas um facilitador, mas um modo de gerir a escassez, Santos prova que as populações das periferias se veem diante de um endividamento crônico, que se tornou uma regra alienadora de futuros: “A gente não trabalha mais só para viver, a gente trabalha para não afundar”, relata Solange, moradora da Brasilândia que acumula três turnos de trabalho para quitar boletos. Como diz o romancista Ferréz em seu texto de orelha, “as entrevistas [do livro] falam de mim, da minha mãe, do meu pai, da tentativa desesperada de ter algo que alivie esta vida dura”. Com posfácio do urbanista João Sette Whitaker Ferreira, Parcelado é um convite para refletir sobre a cidadania mediada pelo boleto, em que os objetos de desejo chegam antes dos direitos fundamentais.
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