Descrição
Quando dizemos ajeum, em iorubá, ou mi’u, no idioma sateré-mawé, não estamos apenas falando de comida; estamos demarcando territórios de conhecimento a partir de nossas línguas, e isso é um gesto de contracolonização. Por meio dessas palavras, o alimento não se restringe ao prato; envolve território, corpo e espírito; é encontro, partilha, cuidado e ancestralidade. Assim afirmamos nossa maneira de existir, sentir e alimentar, recusando a lógica que busca nos limitar e insistindo que a comida é, antes de tudo, vida em movimento. […] No âmbito dos sistemas alimentares, nos orientamos pelos ensinamentos das nossas mestras e nossos mestres, e tomamos a roça e o terreiro como experiências concretas capazes de demonstrar modos de produzir e compartilhar processos alimentares ancestrais. Escolhemos a roça e o terreiro — e não os sistemas agroflorestais, por exemplo — porque no encontro com os nossos e as nossas não seria necessário apresentar-lhes uma definição ou tecer explicações conceituais a respeito de espaços que já fazem parte do seu cotidiano. Roça e terreiro, em nossas comunidades, são lugares de produção de alimento e cuidado, de encontros para a partilha da vida, de conexões com a espiritualidade e de articulações para as lutas. São tecnologias ancestrais que se situam em processos históricos e dinâmicos no tempo — não são técnicas atrasadas, retrógradas, como alguns insistem em rotular.




Avaliações
Não há avaliações ainda.