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Edimilson de Almeida Pereira


Quais os livros mais importantes da sua vida? E por quê? Em que momento você os leu e que impacto eles tiveram? Essas e outras perguntas são feitas a cada convidado/a de Livros de Formação. Essa seção traz uma lista de até 7 obras que, por quaisquer razões, tenham sido fundamentais na trajetória dele/a. Podem ser livros lidos na infância, na adolescência, na vida adulta, não importa. O que a gente quer saber é que livros fazem alguém se tornar o que é.


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Heliogábalo ou o anarquista coroado

O livro do escritor francês sobre o controverso imperador romano chegou às mãos de Pablo Katchadjian durante o ensino médio, quando fazia parte de uma banda punk. Embora confesse que não lia muito na época, ele acabou atraído pelo “anarquista” do título.   

“Me fez pensar que o livro pudesse ter a ver com a música que eu escutava todos os dias. Mas quando o abri e li as primeiras páginas, aconteceu outra coisa. […] Eu não sabia que escrever poderia ser isso. Esse foi meu primeiro encontro com a intensidade em forma de livro”, comenta o argentino.  

[Disponível em Escritos de Antonin Artaud]

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Michael Kohlhaas

Uma das grandes obras-primas da literatura alemã, esta novela de 1808 faz uma ponte entre a literatura medieval e moderna. A trama gira em torno de um comerciante de cavalos que se vê vítima de uma injustiça. Em busca por reparação, ele toma a lei em suas próprias mãos. “Me marcou por sua velocidade e loucura ética: para Kohlhaas, ‘o sentimento de justiça o transformou em um ladrão e um assassino’.”

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Os sonhos teus vão acabar contigo

Um dos fundadores da OBERIU (Associação para uma Arte Real), grupo de vanguarda russo do fim da década de 1920, Kharms tem uma obra marcada pela linguagem concisa, pelo humor e nonsense. “O absurdo se torna misticismo quando há um centro que não se pode nomear”, comenta Pablo Katchadjian. Esta coletânea reúne prosa, poesia e teatro que dialogam de frente com os dilemas da arte e da vida.

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Um conto de fadas mexicano e outras histórias

Nascida na Inglaterra, a artista e escritora surrealista passou boa parte da vida no México, para onde fugiu durante a Segunda Guerra. O sonho, o delírio e o insólito da condição humana são alguns dos elementos encontrados nos textos deste livro. “São contos raros e charmosos”, diz Pablo, que aponta também o romance La trompetilla acústica (inédito no Brasil) como outro destaque da obra da autora.

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O compromisso

Doze histórias que transitam entre jornalismo e literatura, entre realidade e ficção. Em O compromisso, o escritor russo descreve sua incursão pelo jornalismo no jornal Estônia Soviética, em Tallinn, nos anos 1970. “É solto e formal ao mesmo tempo. Ou talvez seja solto porque é formal.”

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Sol artificial

A onipresença da tecnologia em nossas vidas é confrontada por Zooey neste livro de estreia que reúne pequenas narrativas e personagens inusitados, como um homem que acredita ser um vírus de computador.  

Com sua prosa experimental, o conterrâneo de Pablo conquistou o público e a crítica. “Nossos primeiros livros em português saíram quase juntos no Brasil, o que confirma a rara afinidade que existe entre nós e também entre nossos livros.”

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A débil mental

“Outra amiga e outra afinidade rara e intensa”, diz Pablo Katchadjian. Em seu segundo romance, a escritora, roteirista e dramaturga argentina explora a relação entre uma mãe e uma filha que se espionam, se odeiam, se amam. Um livro a um só tempo sensível, bonito e perturbador sobre laços familiares.

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Vidas secas

Os livros de Graciliano Ramos, especialmente Vidas secas e São Bernardo, fazem parte de todas as épocas da vida da escritora:Transformam o choque provocado pela experiência de fome, pobreza e injustiça social do Nordeste (experiência pessoal minha) na expressividade dura e raivosa da linguagem de silêncio (ou do mutismo) de seus personagens, de suas viagens psicológicas, de sua revolta”, revela Felinto.

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Demian

Marilene Felinto conta que, em sua juventude, os romances de Hermnan Hesse foram muito importantes, em especial o primeiro, Peter Camenzind, “romance que trata da saudade da infância deixada para trás no tempo e no espaço, e da volta do protagonista ao cenário desta infância”, e Demian, “romance que trata da solidão, do desajustamento, da rebelião da juventude e da busca por identidade por meio da arte, temas que se aprofundam nos demais livros do autor”, explica.

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A cidade e as serras

Marilene destaca também os livros de Eça de Queirós, “autor que não esconde seu ódio pela burguesia portuguesa e faz crítica contundente aos costumes e à moral de uma sociedade ainda monárquica e tradicionalista”, em especial A cidade e as serras, que expõe a oposição entre o campo e a cidade, “no que isso tem de confronto entre o agrário, o mundo do trabalho rural (profundo e produtivo), e a vida de progresso tecnológico e luxo do homem da cidade (superficial, indolente e explorador)”.

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O retorno do nativo

O romance de Hardy está na seleção de Marilene Felinto sobretudo “pela beleza da construção de suas intensas personagens femininas, vítimas perdidas mas também protagonistas de uma época e de um ambiente rural rústico, restrito e ao mesmo tempo bucólico”.

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Perto do coração selvagem

Clarice Lispector, conta Marilene, foi quem lhe mostrou como é que uma mulher poderia escrever “sobre seu mundo interior (a partir do aparentemente irrisório exterior) e da sua realidade (a partir da sua sobrenaturalidade): linguagem, invenção de linguagem, reinvenção de si mesma”. Perto do coração selvagem, O lustre, Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres, A paixão segundo G.H. e A hora da estrela, além de todos os demais romances e todos os contos de Clarice Lispector, foram livros formadores para ela.

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O FIM DE EDDY

Em O fim de Eddy e História da violência, Édouard Louis narra sua vida marcada por conflitos entre sexualidade, família e a sociedade francesa. Para Tati, a leitura desses livros deixa muito claro que se trata de um escritor que não tinha voz durante a infância e a adolescência. “A hora em que ele vira escritor não tem como não ser em primeira pessoa. Ali há uma defesa da primeira pessoa como sobrevivência”, explica.

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DE VELUDO COTELÊ E JEANS

Um dos grandes humoristas norte-americanos, David Sedaris escreveu 22 crônicas autobiográficas que exploram de forma ácida sua existência, abordando a condição de homossexual e membro de uma família de origem grega. “Ali eu saquei que dar uma detonada na família, nos relacionamentos amorosos e em si mesmo era um jeito carinhoso de olhar para essas pessoas”, explica Tati.

 

[fora de catálogo]

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PERGUNTE AO PÓ

O quarteto formado por Pergunte ao pó, O caminho de Los Angeles, Sonhos de Bunker Hill e Espere a primavera, Bandini, narra as aventuras do alter ego de John Fante, o escritor Arturo Bandini. “Eu queria ser Arturo Bandini, aquele escritor meio pobre se fodendo para ter história”, conta Tati. Escritos entre 1936 e 1982, os quatro romances influenciaram gerações e são um mergulho na América do pós-1929, com personagens marcados por crises pessoais e a luta diária pela sobrevivência.

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O COMPLEXO DE PORTNOY

Quando leu esse clássico de Philip Roth, Tati Bernardi descobriu que também queria escrever sobre suas fantasias e coisas de que ninguém fala. No monólogo do advogado Alexander Portnoy para seu psicanalista, dr. Spielvogel, masturbação e outros temas tabus são tratados de modo hilariante. O livro causou impacto ao ser lançado em 1969, no auge da contracultura, e ajudou a estabelecer o nome de Roth como um dos grandes autores norte-americanos.

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O FILHO ETERNO

Sucesso de público e crítica, e vencedor dos principais prêmios literários do país, O filho eterno narra o nascimento de um filho com Síndrome de Down pela ótica do pai. Para Tati, trata-se de uma autoficção brilhante. “Tem essa coisa de transformar uma dor pessoal num romance foda. O livro não é sobre ele, mas a gente sabe que é. Acho muito que a literatura é isso, quase como se estivesse deitado no divã tentando elaborar”, conta.

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RETRATO DE UM VICIADO QUANDO JOVEM

Agente literário, o norte-americano Bill Clegg transformou em literatura seu vício em crack. Segundo Tati, esse foi o livro que a destravou para escrever Depois a louca sou eu, publicado em 2016. “Eu andava viciada em remédio tarja preta, na época. Claro que não dá pra comparar, Clegg era viciado em crack, mas eu sentia, lendo o livro, que estava pirada precisando de droga”, explica.

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O encontro marcado

Paulo leu o clássico de Fernando Sabino, lançado em 1956, quando estava escrevendo Hélio Pellegrino: A paixão indignada (1998). Pellegrino foi amigo de Sabino e inspiração para um dos personagens de O encontro marcado. Ainda hoje ele guarda com carinho sua edição autografada. 

O romance de tintas autobiográficas mostra o amadurecimento e as questões existenciais do jovem Eduardo Marciano, que questiona sua vocação de escritor, rememora momentos marcantes da adolescência e juventude nos anos 1940 e, com isso, traça um retrato da boemia intelectual de seu tempo.

“É um romance de formação, mas ele não fica datado, tem sempre um frescor. Relê-lo é mais ou menos como recarregar as baterias. É o livro que eu mais reli na minha vida. Ele sempre tem alguma coisa a me ensinar.”.

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Lavoura arcaica

Estreia de Raduan Nassar, Lavoura arcaica foi considerado um clássico assim que foi , em 1975, tendo recebido os prêmios Jabuti e APCA de autor revelação. Paulo afirma que ficou muito impressionado ao ler o romance quando foi relançado em 1989. 

Ao saber que o recluso escritor falaria sobre a obra em um shopping do Rio, fez questão de assistir. “Fui pedir um autógrafo e ele, muito tímido, disse ‘desculpa, não estou acostumado’, e apenas assinou o exemplar, uma assinatura linda”. 

“Fiquei ruminando aquela história, li mais de uma vez.”

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O prazer do texto 

“Ele fala sobre a diferença entre o texto de prazer e o texto de fruição: o de prazer faz você viajar e o de fruição te coloca na crise. Isso nunca mais saiu da minha cabeça”, conta Paulo, que costuma incluir o livro nas discussões com seus alunos do curso de Comunicação da UFRJ. 

“É um livro pequenininho e difícil pra burro, que me desafiou muito num determinado momento da vida.”

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Para gostar de ler

“O título funcionou para mim”, brinca Paulo ao relembrar a célebre coleção de prosa e poesia lançada em 1970. Através dela, aos dez anos, ele conheceu autores como Carlos Drummond de Andrade e Rubem Braga. 

“Quando criança, como leitor, eu achava uma perfeição. Depois, na vida adulta, como editor de livros, descobri que era um projeto genial de uma pessoa genial, o editor Jiro Takahashi.”

Paulo ressalta que Takahashi, criador também da coleção juvenil Vaga-Lume, não só apresentou escritores importantes aos jovens leitores como também conseguiu que autores como o crítico Antonio Candido escrevessem para ele.

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Desonra

Paulo destaca a elegância e inteligência com que o escritor sul-africano retrata tensões raciais, sociais e econômicas de seu país nesse romance sobre um professor universitário acusado de assédio sexual.

“Fico pensando que hoje, diante do Brasil, Desonra parece uma frivolidade. Eu me pergunto que escritor poderia escrever sobre as questões do Brasil atual com o estilo do Coetzee”.

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Os últimos dias de Paupéria

Lançado em 1973, o livro organizado pelo poeta Wally Salomão e pela artista plástica Ana Duarte, viúva de Torquato Neto, reunia poemas, entrevistas e colunas de jornal do poeta, jornalista e letrista.

Paulo conta que, aos 16 anos, primeiro se apaixonou pelo objeto, um livro pequeno, “de guerrilha”, que vinha com um compacto de Gal Costa e Gilberto Gil cantando “Três da madrugada” e “Todo dia é dia D” . Depois, ficou fascinado por Torquato.

Paulo voltaria ao livro nos anos 1990, quando foi convidado a organizar uma nova edição. “Aí eu conheci a Ana e o Wally, duas pessoas muito importantes para mim.” O projeto  recebeu o título que Torquato queria, Torquatália (2004), e foi dividido em dois volumes: “Do lado de dentro”, dedicado à poesia do autor, e “Geleia geral”, que reúne os textos que ele publicou na imprensa carioca. 

“Ainda guardo o meu exemplar, que está caindo aos pedaços, mas eu não jogo fora. É uma edição histórica.”.

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Notas de um filho nativo

“É o maior livro de ensaios, em qualquer língua, do século 20. Ele é a perfeição, sem exagero”, afirma Paulo. Ele revela que conheceu a coletânea de ensaios do estadunidense há cerca de oito anos. Ao descobrir que a obra nunca tinha sido publicada por aqui, resolveu traduzir dois dos textos do livro e publicá-los, em 2017, na revista Serrote

Em 2020, o livro foi finalmente publicado no Brasil. Raça e sexualidade são temas centrais nos livros de ficção e não ficção de Baldwin, um dos nomes mais importantes da literatura americana do século XX. Para Paulo, Notas de um filho nativo é a porta de entrada ideal para a obra do autor. 

“Depois que você o lê, não tem volta. Como ele [James Baldwin] mesmo diz, ‘o mundo nunca mais será branco’, e é isso mesmo. A partir dali você não pode mais ignorar as coisas que você ignora.”

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Flicts

Considerado um marco da literatura ao utilizar a cor como linguagem, Flicts é um fenômeno editorial – a primeira tiragem, de 10 mil exemplares, se esgotou em seis meses. “Eu sabia o livro de cor, tinha decorado as cores das páginas, ele é muito imagético”, recorda Maria, que o leu aos 6 anos. Fã de Ziraldo, ela destaca ainda a importância de outro clássico do autor, O menino maluquinho (1980): “Eu me identificava muito com aquele personagem gauche, fora de padrão”.

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Para gostar de ler

Em 1970, a editora Ática reuniu a nata dos cronistas brasileiros nesta coleção que marcou gerações e que é um “denominador comum” entre Maria e seus amigos Gregório Duvivier e Xico Sá, parceiros do projeto Você é o que lê, uma série de encontros em que o trio conversa sobre literatura, cultura e contemporaneidade.

O nosso livro, Crônicas para ler em qualquer lugar, é meio inspirado no Para gostar de ler, que nós três adorávamos. Essa coleção me apresentou Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos e Rubem Braga. Lembro que, apesar de ter 9 anos, era fácil de ler justamente por serem crônicas.” 

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Feliz ano velho

Romance de formação de tintas autobiográficas, a história do jovem que fica tetraplégico ao bater com a cabeça no fundo de um lago se tornou um best-seller nos anos 1980, com adaptações para o cinema e o teatro.  

O livro tem um lugar especial na biblioteca afetiva de Maria Ribeiro, que, em 2000, atuou em uma adaptação do Feliz ano velho para os palcos. 

“Ele me trouxe de volta ao mundo dos livros quando eu tinha uns 14, 15 anos, numa época em que eu estava achando que ler era chato.”

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Dom Casmurro

Quando leu a história de Capitu e Bentinho pela primeira vez, na escola, aos 14 anos, Maria achou o livro chato. Uns anos depois, por insistência do irmão mais velho, deu uma segunda chance ao romance e se apaixonou. 

Aos 23, ela atuou na peça Capitu, uma adaptação da obra. A edição de Dom Casmurro publicada pela Antofágica em 2020 conta com um texto seu. 

“Lembro do lugar onde eu estava quando terminei de ler. Não queria que acabasse, foi a primeira vez que senti raiva do herói, aquele sentimento contraditório por causa da ambiguidade do personagem, que podia estar mentindo para mim.”

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Cartas a um jovem poeta

Para Maria Ribeiro, a célebre correspondência entre o poeta alemão Rainer Maria Rilke e o jovem Franz Kappus – dividido entre a carreira militar e a vocação literária – é uma “autoajuda de alto nível”. 

“Eu li com 20 anos e me marcou muito. Acho que é o tipo de livro que é preciso ler com essa idade. É uma leitura reconfortante.” 

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Juventude

O romance autobiográfico do prêmio Nobel sul-africano J. M. Coetzee foi uma indicação que Maria recebeu de sua analista. “Foi uma indireta muito direta, numa época em que eu estava com medo de fazer as coisas e não dar certo. Eu tinha 30 anos, queria escrever e tinha muita dúvida”, afirma. 

“O livro é sobre isso, sobre a dúvida de se você deve dar a cara a tapa ou ficar o tempo inteiro meio Tio Vânia [personagem da peça homônima de Tchekhov], falando sobre o que poderia ter sido e não é, sem se arriscar totalmente.”

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O caderno vermelho da menina karateca

Na primeira vez que esteve em Lisboa, em 2015, Maria descobriu e se encantou com a editora de livros infantis e juvenis Planeta Tangerina, por onde saíra o livro de Ana Pessoa. Desde então, sempre que ela visita a capital portuguesa, volta com a mala recheada de livros da editora. “Eu digo que é para o Bento [seu filho caçula], mas é tudo para mim”, brinca.

Escrito em forma de diário por uma narradora-protagonista que revela apenas a inicial do nome, O caderno vermelho da menina karateca – lançado no Brasil pela SESI-SP – foi paixão à primeira leitura. 

Eu pirei, senti vontade de levar o texto para o teatro. Dei e dou esse livro para todas as pessoas de quem eu gosto, de todas as idades.”

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O menino do dedo verde

 O clássico francês lançado em 1957 foi fundamental para selar a paz entre Kiusam e a literatura. “Na minha infância, os livros escolares obrigatórios eram os de Monteiro Lobato, o que era muito sofrido para mim. Eu passei a detestar a Emília por todos aqueles xingamentos direcionados a tia Nastácia”, lembra. Kiusam conta que as ofensas proferidas pela boneca de pano se desdobravam na vida real, contra ela, na hora do recreio. “Com O menino do dedo verde eu finalmente virei a chave. Eu tinha 12 anos e chorava de emoção com aquele menino diferente que detinha o poder de levar vida a tudo o que tocava e de tornar as pessoas boas”. A obra fazia parte da biblioteca familiar, montada a partir da iniciativa de sua mãe, que assinava o Círculo do Livro. “Nós éramos muito pobres e lembro da minha mãe dizendo para o meu pai que precisávamos ser sócios para que eu e minha irmã recebêssemos uma educação de valor”, diz.

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Negras raízes: A saga de uma família

Kiusam foi apresentada a Negras raízes aos 17 anos, através do Movimento Negro Unificado (MNU). Essa leitura foi revolucionária para ela. “Minha mãe me colocou no MNU para eu voltar a me aceitar como menina negra, e lá eu comecei a ter outras referências”, conta. A saga da adolescente Kunta Kinte, sequestrada na África e escravizada nos EUA do século XVIII, impressionou Kiusam: “O nome Kunta Kinte foi o mais falado por negras e negros naquela época. Eu sabia que nós, negros escravizados e trazidos para o Brasil, não tínhamos nossos sobrenomes originais. Eu sentia até raiva do meu sobrenome, Oliveira, por saber que era o nome dos algozes”.

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O olho mais azul

Primeira escritora negra a receber o Prêmio Nobel (1993), a norte-americana Toni Morrison é uma das autoras mais importantes na formação de Kiusam. Ela conta que leu O olho mais azul quando tinha 40 anos e desde então o releu mais de trinta vezes. “É a minha história, por isso retorno tanto a ele. Uma menina que sofreu preconceito e deseja ser aquilo que jamais poderá ser: branca, com cabelo liso e olhos azuis”, diz. Kiusam revela que sua dissertação de mestrado em Psicologia trata de questões centrais do livro de Morrison, como raça, gênero, beleza e a vulnerabilidade de uma criança na sociedade racista. “Para mim não há nada igual a esse livro”.

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Amada

Kiusam conheceu a obra mais célebre de Toni Morrison através de sua adaptação para o cinema, Bem-amada (1998). uando o livro enfim  foi publicado no Brasil, correu para comprá-lo. Vencedor do prêmio Pulitzer de 1988 e eleito em 2006 a obra mais importante dos últimos 25 nos Estados Unidos, Amada é inspirado em uma história real. “Eu fiquei muito impressionada com o fato de os negros dos Estados Unidos terem uma documentação vasta sobre a época da escravidão”, diz. Ambientado em 1873, o romance trata das marcas da escravidão recém-abolida e traça um retrato da condição do negro no fim do século XIX nos EUA.

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Cadernos Negros – edições de poemas e de contos afro-brasileiros

Criada em 1978 pelo grupo Quilombhoje, a série Cadernos Negros é um importante veículo de difusão da literatura afro-brasileira. “Na década de 1980 sempre vinha à tona esta questão: cadê os autores negros brasileiros?”, diz Kiusam. As edições anuais dos Cadernos, que alternavam poesias e contos, tentavam dar conta dessa lacuna. “Quando descobri aqueles poemas falando de uma força negra, daquilo que a gente passava, foi um divisor de águas. Eu comecei a me aventurar na poesia, mas por pouco tempo, porque não me achava boa”. Em 2020 foi publicado o 43o volume dos Cadernos Negros, com poemas afro-brasileiros.

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O herói com rosto africano: Mitos da África

Quando descobriu esse livro durante a pesquisa para o mestrado, em 1998, Kiusam não imaginava que ele a prepararia para contar histórias doze anos depois. “Minha mãe me contava mitos, o candomblé contava mitos, então eu sabia como os contos africanos eram importantes”, afirma. “Mas fora desses ambientes havia muito preconceito”. O herói com rosto africano trouxe essa mitologia para o universo acadêmico. “Foi a primeira vez que eu vi um americano trabalhar mitos iorubás do ponto de vista teórico”. Em 2010, quando o Sesc de São Paulo a convidou para contar as histórias de seu livro Omo-oba, seu livro que reconta mitos africanos, Kiusam retornou à obra de Clyde W. Ford.

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Questão de raça

Kiusam afirma que o livro do ativista e professor universitário Cornel West foi um ponto de virada em sua trajetória acadêmica. “Encontrar durante o mestrado na USP um autor negro incrível falando sobre questões teóricas que a universidade me apresentava via intelectuais brancos foi transformador”, lembra. “Eu sempre tive facilidade para guardar trechos, decorar passagens, e fui apresentando o Cornel West às pessoas, tanto no curso de Psicologia, quanto no de Educação”.

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Avedon: photographs, 1947-1977

Bob Wolfenson conta que, nos anos 1970, ganhou esse livro de uma namorada como presente de separação, uma espécie de prêmio de consolação pelo término. “Hoje parece um livro com soluções gráficas simples, mas, aos meus olhos de jovem, era um livro esplêndido”. O que chama a sua atenção no trabalho de Richard Avedon é não ficar restrito à fotografia de moda. “Ele sempre achou que queria mais e fez disso sua profissão de fé. Encontrei nele essa liberdade, essa mobilidade entre moda e retrato que se tornaria a minha também.”

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Shots of Style: Great Fashion Photographs Chosen by David Bailey

“Uma eminência do ‘Swinging London’ dos anos 1960”, nas palavras de Bob Wolfenson. “David Bailey era tão conhecido na cena cultural quanto as pessoas que ele fotografava”. Com uma seleção de nomes da fotografia de moda até os anos 1970, o livro nasceu junto com uma exposição que Bailey organizou no Victoria and Albert Museum. “Graças à coletânea descobri uma porção de fotógrafos que eu não conhecia. Esse apanhado me deu a oportunidade de conhecer outros repertórios, numa época pré-internet, em que as coisas não circulavam com a mesma facilidade.”

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Xingu: território tribal

“Livro editado no Brasil com uma qualidade que eu nunca tinha visto aqui e com uma radicalidade de linguagem muito ímpar”, lembra, com espanto, Wolfenson. Ele conta que, enquanto outros dos fotógrafos que admirava eram quase inatingíveis, Maureen não, porque a inglesa vivia no Brasil desde os anos 1950, de forma que ele pôde acompanhar seu trabalho de perto, inclusive este seu livro sobre os índios do Xingu. 

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A câmara clara: nota sobre a fotografia

Ao lado de Sobre fotografia, de Susan Sontag, Bob Wolfenson afirma que este livro publicado originalmente em 1980 é um dos estudos fundamentais para pesquisadores da imagem. Conta que, quando jovem, tentou ler a obra, mas ainda lhe faltava paciência para teoria: “Redescobri o livro na maturidade e dali saíram vários ‘statements’ que eu uso para as minhas falas, palestras, epígrafes. Por exemplo, quando Barthes diz não gostar de muitas fotos de um só fotógrafo, mas de poucas fotos de muitos.”

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Sleepless Nights

Icônico fotógrafo alemão e uma das grandes referências para Bob Wolfenson, Helmut Newton defendia que existem duas coisas que são muito ruins para a fotografia: a arte e o bom gosto. “Hoje Newton seria defenestrado porque tem um caráter aparentemente misógino, mas ele criou uma estética própria, com ênfase no erótico, celebridades sempre numa situação meio bizarra, com um clima dramatizado e luzes totalmente fora do padrão. Permanece um trabalho muito instigante.”

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Cuore

Maria Valéria revela ter em sua biblioteca várias edições desse clássico da literatura italiana, incluindo uma brasileira e uma cubana, comprada na ilha onde viveu e conviveu com Fidel Castro e Gabriel García Márquez. Em 2012 lançou sua tradução do livro. Publicado em 1886, Cuore é uma espécie de diário de um estudante, escrito ao longo de um ano letivo em uma escola primária no século XIX. “Todas as noites eu esperava ansiosa a hora de sentar na varanda, depois do jantar, e ouvir o meu avô ler esse livro.”

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Kim

Lançada em 1901, a história do órfão irlandês que se torna discípulo de um lama na cidade indiana de Lahore, sob domínio inglês, abriu um novo mundo para a pequena Maria Valéria, aos 7 anos. “Eu me sentia andando pela Índia. Pegava o Atlas e as enciclopédias para saber onde era aquilo. Tínhamos um vizinho médico que era de Goa e eu o enchia de perguntas, queria saber se a vida na Índia era assim mesmo.”

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O chamado da floresta

Maria Valéria acredita ter lido a história do cão californiano roubado do conforto do seu lar e atirado na natureza selvagem do Alasca, pela primeira vez, em francês, por volta dos 9 anos. Desde então, sempre se colocou ao lado dos animais. “Para mim foi uma descoberta de que a literatura é capaz até mesmo de fazer com que eu me sentisse um ser de outra espécie, porque O chamado da floresta não é narrado pelo cachorro, mas é contado do ponto de vista dele.”

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Em busca do tempo perdido

Aos 15 anos, Maria Valéria, que já falava e escrevia francês fluentemente, decidiu tirar o certificado para poder trabalhar. No curso preparatório da Aliança Francesa, ouviu de um professor: “Só aprende francês quem lê Proust no original”. “Em três meses, eu tive que ler aquela chatice do Em busca do tempo perdido, os sete volumes. Isso me deu uma liberdade muito grande, porque eu vi que podia gostar ou não do que eu quisesse.” 

Maria Valéria Rezende revisitou a obra, mais velha: “Há trechos belíssimos, como a descrição da catedral”. Quando, hoje, escuta de alguém o desejo de ler a saga proustiana, porém, logo pergunta em tom de brincadeira: “Vai ler em francês? Porque, se não for, pode ler essa versão em mangá, está tudo explicado.”

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Grande sertão: veredas

Maria Valéria ainda guarda o exemplar que seu avô mineiro lhe deu de presente, logo que o livro foi lançado. Embora tivesse apenas 14 anos, ela afirma ter lido Grande sertão com muita facilidade, pela familiaridade que tinha com a linguagem e o cenário da obra. “Eu passava quatro meses por ano em Minas. Montava no jipe do meu avô e a gente saía pelo sertão pegando velharias para abastecer o antiquário dele. Eu brinco que eu falava duas línguas: o santista e o mineirês. […] Guimarães Rosa não inventou a palavra ‘nonada’, meu avô me dizia isso o tempo todo.”

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Alaska, Hawaii e Poland, entre outros

Os caudalosos romances de Michener, repletos de dados históricos e informação, mostraram a Maria Valéria que a literatura pode servir não apenas como prazer estético e entretenimento, mas também como “veículo suave para se aprender o necessário para compreender a vida”. 

Alaska, Hawaii e Poland, entre outras obras do norte-americano,  motivaram-na a escrever seu romance mais recente, Carta à rainha louca (2019). “Eu tinha esse hobby de pesquisar sobre a história da mulher; fiz isso por quarenta anos antes de saber que ia escrever meu livro. Aqueles livros me inspiraram. Porque o Carta à rainha louca é um livro de história e estórias.”

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As mais belas histórias

Escrita e organizada por uma educadora, a coleção de livros infantis As mais belas histórias foi adotada por bom tempo nas escolas de Minas Gerais e formou gerações de estudantes. Repleta de fragmentos de mitologias do mundo todo e de histórias da carochinha, entre as quais “Os três porquinhos”, a coleção foi, para Edimilson de Almeida Pereira, formadora de seu imaginário, ainda aos dez anos de idade. “Muitas das histórias que eu li em As mais belas histórias reapareceram, trinta anos mais tarde, como parte do repertório das narrativas populares, em meu trabalho como pesquisador de cultura popular”, relata Edimilson.

 

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Amigos felizes

Livro infantil hoje raro, mesmo em sebos, Amigos felizes é o quinto volume da antiga coleção Tempo de Criança. Edimilson ganhou o título de presente de uma professora quando tinha sete anos e se encantou com a história de duas crianças que se aventuram no mundo até conquistarem uma ilha. A cada episódio, elas se veem diante de escolhas que as fazem mudar de percurso, no que acabou se tornando dos primeiros ensinamentos de Edimilson sobre reflexão e autocrítica. “Essa estrutura de narrar, eu vejo que, hoje, está presente em muitos dos meus escritos.”

 

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O boi Aruá

O boi Aruá é o reconto de um mito popular nordestino: a história de um fazendeiro rico que tem tudo o que o dinheiro pode comprar, mas lhe falta esse boi encantado, que se torna uma obsessão. A “moral da história”, segundo Edimilson, é que “mais vale desejo do que riqueza, o encanto do sonho do que a propriedade. Para o garoto de doze anos que eu era, esse mistério de procura era algo extraordinário”. Anos mais tarde, quando fazia pesquisa de campo em um vilarejo de Minas, Edimilson ouviu a história de que havia ali um senhor que guardava um livro encantado. Foi atrás desse homem, que, com muita relutância, mostrou-lhe o volume que fazia previsões e desvendava mistérios. E qual não foi a surpresa do poeta: era O boi Aruá!

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Olhai os lírios do campo

Olhai os lírios do campo foi lido por Edimilson entre os 13 e os 14 anos, por sugestão da professora de português. “Eu reputo muito a importância das professoras no processo de formação de jovens leitores”, sublinha. O romance de Erico Verissimo trazia uma perseguição da vida interior do protagonista, um ser angustiado diante do mundo: “Essa interiorização, colocada numa narrativa poética, transportava para um ambiente de serenidade o jovem que eu era, vivendo em plena agitação urbana. Foi um livro que me fascinou pela linguagem e por essa viagem no campo emocional”.

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Dom Casmurro

Edimilson tinha cerca de 15 anos quando sua professora decidiu acrescentar Dom Casmurro à lista de leituras do ano letivo. Conta que a história de Bentinho e Capitu foi, para ele, um divisor de águas: criou-se um antes e um depois de Machado. Tocou-lhe definitivamente. Por isso, retorna ao livro com frequência: “Quando há aquele desencanto com o tempo, com a história da literatura, com os modos de narrar, aí eu volto à farmácia Dom Casmurro; lá tem uma medicação sempre muito eficaz”. Muito da experimentação em prosa que vem fazendo, diz, inspira-se na estrutura fragmentária desse romance de Machado.

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O encontro marcado

Romance de formação, O encontro marcado foi lido ainda na adolescência e é a clássica narrativa de um grupo de amigos que têm um mundo inteiro por conhecer: “O livro foi um ‘detonador’ de escritores em Minas Gerais: um romance que todo adolescente daquela geração gostaria de ter escrito, ou então de ter vivido parte das aventuras que lá se encontram”, lembra. O próprio Edimilson, quando se arriscou pela primeira vez em narrativa longa, tomou esse romance como modelo. “Por sorte esse meu livro se perdeu”, brinca o autor. “Às vezes a gente tem essas crises de exigência, daí acabei destruindo o original.”

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A idade da razão

Ao entrar na universidade, aos vinte anos, Edimilson teve acesso a um novo repertório de leituras. Os encontros com professores e amigos costuravam referências muito diferentes: “Foram livros que ajudaram a apontar meu roteiro de vida em várias direções; meu pensamento, na verdade, é muito plurivalente, e acho que é fruto desses contatos todos”, sugere. Uma leitura, entre tantas desse período universitário, foi A idade da razão, seu primeiro contato com o existencialismo por meio da ficção. O protagonista, Mathieu Delarue, é ainda hoje, para ele, uma referência de como a busca do mundo interior não se faz sem considerar as pessoas que estão à volta.

 

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